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País localizado na América Central foi atingido pela passagem do furacão Matthew; estimativa da ONU é de que o total de vítimas fatais passe de mil

Durante a passagem do furacão, ventos ultrapassaram 210 quilômetros por hora e provocaram muita destruição
Divulgação/ONU
Durante a passagem do furacão, ventos ultrapassaram 210 quilômetros por hora e provocaram muita destruição

Após os estragos causados pela passagem do furacão Matthew, as tropas brasileiras no Haiti estão atuando nos trabalhos de resgate da população atingida. Os militares estão concentrando esforços no envio de comida e remédio para as vítimas. O número de mortos no país, localizado na América Central, já chega perto de 900.

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O coronel Alexandre Lima, oficial responsável pela comunicação da Minustah – missão da Organização das Nações Unidas (ONU) para estabilização do Haiti –, explicou neste sábado (8) que o efetivo do Exército brasileiro atua em diversas frentes. Parte do contingente foi escalada para carregar com mantimentos os navios que partem da capital Porto Príncipe em direção ao oeste do país, onde o furacão causou mais danos. Outros grupos são destacados para reconstruir vias públicas e organizar a distribuição dos donativos.

“A prioridade maior era abrir estradas. Ontem, a engenharia da ONU , com auxílio das tropas brasileiras, fez o desbloqueio entre as cidades de Les Caye e Jeremie. São duas capitais departamentais e era importante liberar a passagem dos caminhões. Então, agora a prioridade é levar comida e remédios”, comentou o coronel.

Lima destacou que o transporte está sendo feito por caminhões de pequeno porte, cuja capacidade é de até seis toneladas. Isso porque, em razão das condições ruins das vias, as carretas grandes não estão conseguindo chegar até as vilas localizadas em áreas mais isoladas. Outra preocupação dos militares é garantir a segurança dos comboios, já que em situações de crises agudas, são comuns as ocorrências de saques.

De acordo com o coronel, as tropas costumam entregar os donativos para as mulheres. O objetivo é garantir que os mantimentos cheguem até as casas das famílias atingidas. “Os homens, às vezes, trocam a comida por álcool. Há também a organização das filas para entrega da comida. Até as igrejas, que costumam ter construções mais fortes, foram destruídas”, relatou.

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Um dos locais mais atingidos, conforme Lima, foi a cidade de Les Anglais, ao sul do Haiti , onde o olho do furacão tocou o solo. Na região perto de Les Cayes, a destruição também foi bastante intensa. As vilas ali localizadas possuem casas frágeis, cujos habitantes se mantêm por meio da pesca e de pequenas plantações, que foram completamente destruídas, prejudicando ainda mais o abastecimento com alimentos.

Tempestades causadas pelo furacão destruíram estradas e plantações; quase 900 mortes já foram confirmadas
Divulgação/ONU
Tempestades causadas pelo furacão destruíram estradas e plantações; quase 900 mortes já foram confirmadas

A estimativa do governo haitiano é a de que aproximadamente 350 mil pessoas necessitam de algum tipo de ajuda humanitária emergencial. Mesmo com os donativos já enviados ao país, o coronel Lima avalia que a população local terá muitos problemas de falta de comida.

Mortes

Até o início da tarde deste sábado, já haviam sido confirmadas as mortes de 877 pessoas no Haiti por causa do Matthew. A Minustah, entretanto, estima que o número de vítimas fatais já ultrapasse mil. Não há registro de mortos entre os soldados das forças da ONU.

Estados Unidos

Depois que passou pelo Haiti, o fenômeno seguiu em direção aos Estados Unidos . Lá, atingiu inicialmente a região da Flórida, onde deixou cinco pessoas mortas. Mais de um milhão de pessoas ficaram sem luz. A tempestade, em seguida, atravessou a Geórgia e a Carolina do Sul. A expectativa dos órgãos de meteorologia é a de que ainda neste sábado, chegue à Carolina do Norte.

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Na última sexta-feira (7), os ventos ultrapassaram a marca de 210 quilômetros por hora, caindo, posteriormente, para 170. Em sites de turismo especializados nas regiões da Geórgia e da Carolina do Sul, foram publicados alertas para que os turistas fiquem nos hotéis ou, em caso de aumento das inundações provocadas pelo furacão, deixem o local.


* Com informações da Agência Brasil