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Responsável por guerra sangrenta contra a criminalidade e combate as drogas, líder filipino gera polêmica e indignação de organizações judaicas

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, voltou a criar polêmica nesta sexta-feira, ao comparar a si mesmo com o líder nazista Adolf Hitler.

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Durante uma entrevista coletiva, o controverso presidente traçou um paralelo entre a violenta política antidrogas do seu governo e a política sistemática de extermínio de judeus pelo Nazismo.

Rodrigo Duarte afirma que quer
Reprodução/Youtube
Rodrigo Duarte afirma que quer "salvar" a próxima geração das Filipinas

"Hitler massacrou três milhões de judeus. Há três milhões de viciados em drogas (nas Filipinas). Eu ficaria feliz em matá-los", disse Duterte. "Se a Alemanha teve Hitler , pelo menos as Filipinas têm...", prosseguiu, apontando para si mesmo.

Pelo menos seis milhões de judeus, bem como vítimas de outras minorias - entre elas negros e ciganos -, morreram nas mãos dos nazistas.

'Retórica repugnante'

Desde que tomou posse em junho, o filipino linha-dura supervisiona uma violenta repressão contra usuários de drogas e traficantes. Números oficiais contabilizam mais de 3 mil pessoas mortas em operações policiais.

Os corpos dos mortos são muitas vezes deixados ao ar livre, para exposição pública, com sinais listando os crimes de que foram acusados.

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O presidente abertamente já declarou que queria "matar 100 mil criminosos" para reduzir a violência nas Filipinas.

As mais recentes declarações foram feitas na cidade de Davao, onde o presidente desembarcava após fazer uma visita ao Vietnã.

Foi ali que, quando prefeito, Duterte implementou duras medidas anticrime, sendo acusado inclusive de autorizar a ação de esquadrões da morte para matar criminosos.

Os comentários foram prontamente criticados e classificados como "ultrajantes" por grupos judaicos, segundo a agência de notícias Reuters.

"Duterte deve às vítimas [do Hocausto] um pedido de desculpas por sua retórica repugnante", disse o rabino Abraham Cooper, do Centro Simon Wiesenthal, com sede nos EUA.

O grupo judaico Liga Antidifamação, também dos EUA, disse que os comentários foram "inapropriados e profundamente ofensivos".

"É desconcertante que qualquer líder deseje se modelar pela figura um monstro", disse o diretor de comunicações da entidade, Todd Gutnick.

Mais polêmicas

Essa não é a primeira declaração controversa de Rodrigo Duterte.

Quando a União Europeia pediu que seu governo investigasse denúncias de violações de direitos humanos, ele disparou um discurso cheio de obscenidade e não hesitou em brandir o dedo médio para Bruxelas, sede do bloco europeu.

Ele descreveu os membros da UE como hipócritas e questionou como o Reino Unido e a França tinham "a ousadia" de criticá-lo, quando seus antepassados ​​coloniais mataram "milhares de árabes".

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No início de setembro, Duterte não mediu palavras e chamou o presidente Barack Obama de "filho da p..." quando lhe perguntaram sobre suas expectativas para um encontro com o líder norte-americano.

Obama havia dito que tocaria na questão da politica antidrogas de Duterte quando os dois se reunissem em caráter bilateral às margens da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) em Laos.

"Você deve ser respeitoso. Não basta lançar perguntas e declarações. Filho de uma p..., vou te amaldiçoar nesse fórum", disse Duterte.

Obama acabou cancelando o encontro, dizendo que preferia ter conversas construtitivas e produtivas com seus interlocutores.

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