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Cessar-fogo que põe fim a cinco décadas de confrontos que deixaram mais de 220 mil mortos foi assinado com caneta cheia de simbolismos para o país

Governo da Colômbia
"As balas escreveram nosso passado. A educação, nosso futuro", diz gravação em canetas; governo fabricou 500 unidades

Embora ainda dependa da aprovação de uma consulta popular, o acordo de paz assinado nesta segunda-feira (26) entre o governo colombiano e o grupo paramilitar Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) marca o fim de um conflito que durou cinco décadas e deixou mais de 220 mil mortos.

E a ocasião tornou-se ainda mais simbólica pelo uso do "balígrafo" para assinatura do documento pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder guerrilheiro Timoleon Jimenez, o Timochenko.

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Trata-se de uma caneta feita com um projétil reciclado – e cujo nome é um trocadilho com o substantivo "bolígrafo" (caneta em espanhol).

As canetas são feitas de munição desativada como parte do processo de paz. O governo colombiano encomendou os objetos em fevereiro, em parceria com uma agência de publicidade – um lote de 500 exemplares foi distribuído para historiadores, jornalistas e autoridades públicas.

Anistia

Exército de Libertação Nacional, anunciou um cessar-fogo unilateral até o referendo sobre o acordo com as Farc
Reprodução/Twitter
Exército de Libertação Nacional, anunciou um cessar-fogo unilateral até o referendo sobre o acordo com as Farc

Cada "balígrafo" traz a inscrição "As balas escreveram nosso passado. A educação, nosso futuro".

Pelos termos do acordo, decididos no mês passado e que serão tema da consulta popular do dia 2, os dois lados concordaram em fazer um cessar-fogo.

As Farc entregarão as armas e se tornarão um partido político, recebendo dez cadeiras no Parlamento (de um total de 268). O grupo paramilitar tem 180 dias para realocar seus 7,5 mil guerrilheiros em zonas de desarmamento estabelecidas pela ONU.

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O acordo prevê anistia para "crimes políticos", mas o indulto não cobre tortura, chacinas ou estupros. As Farc também já se comprometeram a interromper a produção de drogas em áreas sob seu controle.

Santos afirmou que seu governo se compromete a ajudar os fazendeiros a sobreviver sem as colheitas ilícitas.

Ambos os lados também prometeram ajudar populações carentes em áreas rurais com terras, empréstimos e serviços.

Em uma entrevista, o presidente disse estar confiante de que a maioria dos colombianos votará a favor do acordo. "As pesquisas mais recentes dizem que de 65% a 70% das pessoas aprovam o processo de paz", disse.

Ele alertou, no entanto, que o conflito vai recomeçar se o acordo for rejeitado nas urnas. "Voltaremos seis anos no tempo e continuaremos a guerra com as Farc. Esse é o plano B."

No sábado (24), o segundo maior grupo paramilitar colombiano, o Exército de Libertação Nacional, anunciou um cessar-fogo unilateral até o referendo do próximo domingo.

O grupo quer iniciar seu próprio processo de paz com o governo.

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