Tamanho do texto

Nahed Hattar foi assassinado com três tiros em frente ao tribunal onde seria julgado por "provocar conflito sectário"; autor dos disparos foi detido

Caricatura mostra um homem deitado no paraíso junto de duas mulheres ordenando que Deus lhes traga vinho e comida
Reprodução/Twitter
Caricatura mostra um homem deitado no paraíso junto de duas mulheres ordenando que Deus lhes traga vinho e comida

Um escritor jordaniano que compartilhou nas redes sociais uma caricatura que provocou a ira de alguns muçulmanos foi assassinado neste domingo (25) em frente ao tribunal onde assistiria ao seu julgamento em Amã, Jordânia. Nahed Hattar, que pertence a minoria cristã no país, levou três tiros.

+ Estado Islâmico planejou ataques no Brasil, afirma agência francesa

Agentes do Departamento de Segurança Pública que estavam próximo ao local onde ocorreu o crime conduziram a vítima a um hospital local, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu. Policiais prenderam o atirador e abriram uma investigação sobre o caso, de acordo com a agência de notícias oficial do país Petra.

Hattar, colunista e comentarista, foi preso em agosto após ser acusado de publicar material capaz de "provocar conflito sectário e insultar sentimentos e crenças religiosas".

Escritor já havia causado polêmica ao escrever artigos em apoio ao presidente sírio
Reprodução/Twitter
Escritor já havia causado polêmica ao escrever artigos em apoio ao presidente sírio

A caricatura publicada no Facebook, que tinha o objetivo de ridicularizar as crenças do grupo terrorista Estado Islâmico, mostrava um homem de barba deitado junto de duas mulheres em uma cama no paraíso instruindo Deus a servir-lhes comida e vinho.

Horas depois de postar o desenho, Hattar explicou que tinha intenção de criticar a visão distorcida do paraíso disseminada pelo grupo terrorista Estado Islâmico, de acordo com a diretora regional da Anistia Interncioanl para o Oriente Médio e Norte da África Randa Habib.

"Ninguém ouviu", tweetou a ativista neste domingo após o atentado. O escritor assassinado era "uma pessoa controversa por causa de suas posições contundentes e ideias apaixonadas", acrescentou na rede social.

Hattar já havia provocado controvérsias antes por escrever artigos apoiando o presidente sírio Bashar al-Assad.

A Jordânia é uma liderança árabe da coalização chefiada pelos Estados Unidos que combate o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Além de realizar ataques aéreos contra os terroristas, o país mantém tropas de coalização em terra.

+ Estado Islâmico reivindica autoria de ataque a faca em Minnesota, nos EUA

    Leia tudo sobre: Estado Islâmico
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.