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Levantamento das Nações Unidas mostra que o número de crianças e adolescentes vivendo longe de seus lares já supera 50 milhões e continua aumentando; refugiados enfrentam perigos como tráfico e desnutrição

Segundo a Unicef, as crianças representam metade do número total de refugiados no mundo, chegando a 50 bilhões
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Segundo a Unicef, as crianças representam metade do número total de refugiados no mundo, chegando a 50 bilhões


Umrelatório divulgado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que as crianças representam metade do número total de refugiados no mundo, chegando a 50 bilhões. 

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Intitulado de "Desenraizadas – a crescente crise das crianças refugiadas e migrantes", o texto alerta para os perigos que as crianças refugiadas  enfrentam, incluindo o risco de afogamento em travessias marítimas, desnutrição e desidratação, tráfico, sequestro, estupro e até assassinato. Quando conseguem chegar ao país desejado, enfrentam xenofobia e discriminação. 

Declaração de Nova York

No próximo dia 19, uma reunião da Assembleia Geral da ONU em Nova York discutirá soluções para conter o fluxo de refugiados ao redor do mundo, segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). 

A porta-voz da Acnur em Genebra, Melissa Fleming, assegurou ser muito significativa a união dos 193 estados-membros das Nações Unidas para se chegar a um consenso global sobre os caminhos para administrar os desafios da migração dessas pessoas. 

As decisões tomadas na assembleia ficarão conhecidas como a "Declaração de Nova York" e servirão como base para futuros acordos.

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Durante a cerimônia, os estados irão declarar sua solidariedade aos refugiados, reafirmando suas obrigações em respeitar de forma plena os direitos humanos desses migrantes e se comprometerem a apoiar de forma substancial os países afetados. 

Educação de qualidade é uma das soluções apontadas pelo relatório da Unicef para proteger essas crianças refugiadas
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Educação de qualidade é uma das soluções apontadas pelo relatório da Unicef para proteger essas crianças refugiadas


Desenraizados

Em 2015, cerca de 45% de todas as crianças refugiadas sob a proteção da Acnur era proveniente da Síria e do Afeganistão. Aproximadamente 28 milhões de crianças fugiram de seus países pela violência dos conflitos dentro e fora das fronteiras.

Atualmente, existe um milhão de requerentes de asilo cujos estatutos de refugiados ainda não foram determinados e uma estimativa de 17 milhões de crianças deslocadas dentro de seus próprios países.

Ano passado, mais de 100 mil crianças e adolescentes não acompanhados pediram asilo em 78 países, três vezes mais do que em 2014. Esses refugiados estão entre aqueles com maior risco de exploração e abuso por contrabandistas e traficantes.

De acordo com o relatório do Unicef, a Turquia é o país que acolhe o maior número de refugiados recentes e, consequentemente, o maior número de crianças refugiadas no mundo.

O Líbano é o país que mais acolhe refugiados em relação à sua população, com 1 para cada 5 habitantes. Em comparação, há cerca de 1 refugiado para cada 530 pessoas no Reino Unido; e um para cada 1200 nos Estados Unidos.

Uma criança refugiada tem cinco vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que uma criança não-refugiada. E, quando tem a oportunidade de frequentar a escola, é mais susceptível à discriminação, incluindo o tratamento injusto e o bullying.

 Crianças refugiadas enfrentam maior risco de afogamento, desnutrição, desidratação, tráfico, estupro e assassinato
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Crianças refugiadas enfrentam maior risco de afogamento, desnutrição, desidratação, tráfico, estupro e assassinato


Nas Américas

Quatro em cada cinco crianças migrantes nas Américas vivem nos Estados Unidos, México e Canadá. Ao todo, são 6,3 milhões de crianças migrantes, o que representa 21% do total mundial.

Um em cada 10 migrantes nas Américas é uma criança, mas essa média esconde duas realidades distintas. As crianças constituem uma proporção relativamente pequena de migrantes vivendo na América do Norte, na América do Sul e no Caribe (8%, 15% e 15%, respectivamente), mas representa 43% de todos os migrantes vivendo na América Central.

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Segundo o relatório, o aumento significativo no número de crianças apreendidas na fronteira sul dos EUA reflete as difíceis condições em seus países de origem e deixa clara a importância de uma legislação migratória e de políticas para as crianças da região.

Quatro em cada cinco crianças migrantes nas Américas vivem nos EUA, México e Canadá; ao todo, são 6,3 milhões
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Quatro em cada cinco crianças migrantes nas Américas vivem nos EUA, México e Canadá; ao todo, são 6,3 milhões


Ações de proteção

O documento ainda aponta para ações específicas de proteção a crianças refugiadas e migrantes no mundo, em particular as não-acompanhadas, contra a exploração e a violência e defende o fim da detenção de crianças requerentes de asilo ou refúgio, com a introdução de alternativas práticas.

O texto também defende manutenção das famílias unidas como a melhor forma de proteger as crianças, assim como garantir acesso à educação, saúde e outros serviços de qualidade, além de promover medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização.

*Com informações da Agência Brasil

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