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Ataque aconteceu na cidade onde nasceu o presidente filipino, Rodrigo Duterte; atos terroristas ocorrem com regularidade no país do Pacífico Sul

Segundo dados do governo das Filipinas, entre 2010 e 2015, Davao foi a cidade que mais registrou homicídios no país
Twitter/ @leonorrala
Segundo dados do governo das Filipinas, entre 2010 e 2015, Davao foi a cidade que mais registrou homicídios no país

Subiu para 12 o número de mortos de uma explosão em um mercado na cidade de Davao, no sul das Filipinas, que também deixou 60 pessoas feridas na noite desta sexta-feira (2). De acordo com a rede de notícias "CNN", o superintendente-chefe Manuel Gaerlan, diretor da Região 11 da Polícia Nacional das Filipinas, disse que dez pessoas morreram no local, e duas em um centro médico. A causa para o ocorrido ainda não havia sido esclarecida até esta publicação. O presidente do país, Rodrigo Duterte, nasceu no município onde ocorreu o ato. 

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Uma testemunha disse à CNN Filipinas que viu mais de 30 feridos sendo carregados em ambulâncias. "Um monte de pessoas estão feridas, chocadas, traumatizadas." Janoz Laquihon que também estava no local afirmou ter visto um pouco de fumaça. “Achei que era apenas um churrasco. Alguns minutos mais tarde, houve uma grande explosão", disse.

Já a estudante Leonor Rala explicou que estava em seu dormitório na sexta-feira à noite, e então "ouviu uma explosão." Ela pensou que algo tinha caído sobre o telhado de um prédio vizinho e foi até o local da explosão, onde as equipes de emergência já estavam.

Davao

Rodrigo Duterte ficou 22 anos à frente da cidade de Davao – ou sete mandatos consecutivos – e alega ter transformado o local de um dos mais violentos do país em uma "cidade segura". Porém, segundo dados do próprio governo das Filipinas, entre 2010 e 2015, Davao foi a cidade que mais registrou homicídios no país e teve o segundo maior número de crimes gerais no mesmo período.

ONU

O presidente das Filipinas ameaçou no último dia 21 retirar o país da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante uma coletiva de imprensa, ele lembrou da imagem de uma criança ensaguentada sendo retirada dos escombros de um edifício atingido por um míssil na cidade de Alepo para apontar a inabilidade da ONU e dos Estados Unidos para por fim a conflitos como os da Síria.

Testemunha disse a rede de notícias CNN que viu mais de 30 feridos sendo carregados em ambulâncias, após a explosão
CNN/Reprodução - 02.07.16
Testemunha disse a rede de notícias CNN que viu mais de 30 feridos sendo carregados em ambulâncias, após a explosão

A coletiva foi uma reação às recentes críticas da ONU e dos EUA à estratégia filipina de combate ao tráfico de drogas. Especialistas em direitos humanos da ONU, assim como o Departamento de Estado dos EUA, vêm reivindicando de Duterte a interrupção dos assassinatos extrajudiciais promovidos pelo país com a justificativa de combater o tráfico de drogas, e a garantia de cumprimento de regras internacionais de respeito aos direitos humanos. 

Segundo a polícia filipina, mais de 500 suspeitos de envolvimento em tráfico de drogas foram
mortos em conflitos com policiais desde que Duterte foi empossado, há oito semanas. Agnes Callamard, novo relator especial da ONU sobre execuções sumárias, sugeriu que autoridades Filipinas poderão ser responsabilizadas. Para ele, o fato de o governo do país pretender combater o tráfico de drogas não o exime de obrigações legais internacionais, nem da responsabilidade por mortes ilegais".

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 "Talvez devamos decidir por nos separarmos das Nações Unidas. Se somos tão rudes e filhos da puta, vamos simplesmente abandonar vocês", disse Duterte, em referência à ONU.

Ele também menosprezou o trabalho da ONU no país, sem mencionar fatos concretos, e questionou o desempenho da agência da ONU responsável pelo combate à fome, chamando a organização de "inútil" e "estúpida". 

Já em reação às críticas dos EUA, o presidente das Filipinas citou a série de conflitos entre policiais e negros que espalhou revolta e protestos no país. "Por que vocês, americanos, estão matando pessoas negras (no país) e atirando neles quando eles já estão no chão"?, questionou o presidente filipino. "Respondam a esta questão, porque mesmo que se trate de uma, duas ou três pessoas, ainda assim são violações de direitos humanos", acrescentou Duterte.

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