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Pessoas continuvam presas nos escombros mais de um dia após tremor atingir região central do país; novo tremor atingiu área nesta quinta-feira

BBC

Moradores de Amatrice, uma pequena cidade de cerca de 2.600 pessoas, ficaram amontoados no centro da cidade
Filippo Monteforte/Agence France Presse/Estadão Conteúdo - 24.8.16
Moradores de Amatrice, uma pequena cidade de cerca de 2.600 pessoas, ficaram amontoados no centro da cidade

O saldo de mortos do terremoto que atingiu a Itália na madrugada de quarta-feira (24) subiu para 250 um dia após registro do tremor, enquanto equipes de resgate ainda lutavam para encontrar sobreviventes.

As buscas continuavam por toda a noite quando foi registrado um novo terremoto secundário, responsável por danificar ainda mais os prédios já avariados. Dezenas de pessoas ainda estariam presas em meio aos escombros nas cidades de Amatrice, Accumoli e Pescara del Tronto, na região central do país.

Mais de 4,3 mil pessoas trabalham na operação de resgate usando escavadeiras e as próprias mãos.

Muitas das vítimas são crianças, informou a ministra da saúde italiana, Beatrice Lorenzin. Segundo ela, o saldo de mortos pode aumentar ainda mais.

O terremoto de magnitude 6.2 ocorreu às 3h36 de quarta-feira (22h36 de terça-feira no Brasil), a 100 km a nordeste da capital Roma.

O último saldo de mortos foi divulgado na manhã desta quinta-feira (25) – 190 mortes na província de Rieti e 57 na vizinha Ascoli Piceno.

Equipes de resgate dizem que retiraram cinco corpos das ruínas do Hotel Roma, na cidade histórica de Amatrice. Pelo menos 70 turistas estavam hospedados no local quando o terremoto ocorreu. Muitos ainda estariam presos em meio aos escombros, embora alguns já tenham sido retirados com vida e recebido cuidados médicos.

LEIA MAIS: Após terremoto, prefeito diz que metade de cidade italiana não existe mais

Na tarde de quarta-feira, uma multidão comemorou no vilarejo de Pescara del Tronto quando uma menina foi retirada com vida dos destroços depois de ter ficado presa por 17 horas. Quase todas as casas desmoronaram, segundo o prefeito.

O terremoto atingiu pequenas cidades e vilarejos onde as regiões de Umbria, Lazio e Le Marche se cruzam.

Desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade; prédios históricos foram destruídos por terremoto
Filippo Monteforte/Agence Frace Presse/Estadão Conteúdo
Desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade; prédios históricos foram destruídos por terremoto

Moradores passaram a noite fora de casa ou em tendas fornecidas pelos serviços de emergência. Entre os mortos está uma bebê de 18 meses, Marisol Piermarini, cuja mãe, Martina Turco, sobreviveu ao tremor de 2009 ocorrido em L'Aquila. Ela decidiu se mudar da cidade após a tragédia, informou a agência de notícias italiana Ansa.

A mulher está hospitalizada após ser retirada dos escombros no vilarejo de Arquata del Tronto, acrescentou a Ansa.

Abalos secundários

Após o terremoto principal, houve tremores secundários, incluindo um de 4.7 de magnitude cujo epicentro foi a 7 km a leste de Norcia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

O prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi, disse que três quartos da cidade foram destruídos e nenhuma casa era considerada segura para morar.

Muitos dos afetados estavam de férias na região. Alguns haviam ido a Amatrice para um festival que celebra uma especialidade local - o bacon amatriciano e o molho de tomate.

A Itália é um dos países mais suscetíveis à ocorrência de fortes terremotos, especialmente para quem vive ao longo da cordilheira dos Apeninos.

Itália registra mais de 100 tremores secundários após terremoto; pessoas tiveram de dormir fora de casa
Filippo Monteforte/Agence Frace Presse/Estadão Conteúdo
Itália registra mais de 100 tremores secundários após terremoto; pessoas tiveram de dormir fora de casa

Segundo dados disponibilizados pela agência governamental americana que monitora desastres naturais, desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade.

A atividade sísmica na região mediterrânea é resultado do grande atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia. Mas há mais detalhes a serem levados em conta no terremoto da madrugada desta terça-feira.

O Mar Tirreno, no oeste da Itália, entre o continente e as ilhas da Sardenha/Córsega, está se abrindo aos poucos, cerca de dois centímetros por ano.

Cientistas dizem que isso vem contribuindo para o "racha" ao longo dos Apeninos. Segundo alguns especialistas, essa pressão é agravada pelo movimento da crosta terrestre no leste, no Mar Adriático, que estaria se movendo para debaixo da Itália.

O resultado é um grande sistema de falhas que percorre toda a extensão da cadeia montanhosa, com uma série de falhas menores aos lados.

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Agora, imagens de satélites que serão tiradas da região dos Apeninos nos próximos dias ajudarão a mapear a área do terremoto. Essas fotos serão comparadas a imagens espaciais anteriores ao tremor de terça, para que se possa avaliar qual foi o movimento das rochas.

Isso ajudará os cientistas a entender precisamente onde e como foi o atrito das placas tectônicas, informação que pode ajudar os especialistas a entender se todo o estresse do choque foi liberado ou se foi acumulado em placas próximas.

Histórico

Apesar de ser mais suscetível a terremotos, a Itália não sofria um tremor de grande intensidade havia quatro anos.

Em maio de 2012, dois abalos ─ de 5.8 e 6.1 de magnitude ─ atingiram o norte do país.

Dezenas de pessoas ainda estariam presas em meio aos escombros após o forte terremoto desta terça-feira
Filippo Monteforte/Agence Frace Presse/Estadão Conteúdo
Dezenas de pessoas ainda estariam presas em meio aos escombros após o forte terremoto desta terça-feira

Mas o pior tremor a atingir a Itália recentemente aconteceu em Áquila, em 2009.

Naquele ano, um terremoto de 6.3 de magnitude arrasou a cidade, deixando mais de 300 mortos e outros 1,5 mil feridos. Outras 65 mil pessoas ficaram desabrigadas.

O de maior intensidade de que se tem registro no país ocorreu no início do século passado, em 1905, segundo o monitoramento americano. Foi quando 557 pessoas morreram após um tremor de 7.9 de magnitude atingir as comunas de Monteleone, Tropea e Nonte Poro.

Mas houve tremores ainda muito mais fatais. Um deles foi registrado em Nápoles, em 1980, com um saldo de 4.689 mortes.

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