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Desde 2009 Exército nigeriano vem dizendo que matou Abubakar Shekau; oficiais afirmam que sósias de Shekau são usados para manter mito vivo

Estadão Conteúdo

Ataques aéreos ocorreram enquanto Shekau orava na sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, em uma vila de Taye
BBC/Reprodução
Ataques aéreos ocorreram enquanto Shekau orava na sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, em uma vila de Taye

O Exército da Nigéria confirmou nesta terça-feira (23) ter finalmente matado o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, em um ataque aéreo na vila de Taye, que teria ocorrido na última sexta-feira (19). No entanto, fica difícil de saber se a confirmação realmente crava que o terrorista tenha morrido, já que é a quarta vez que as autoridades do país africano anunciam sua morte. 

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O próprio Exército nigeriano se mostrou ressabiado ao divulgar a informação, na qual disse que o ataque aéreo atingiu o líder do Boko Haram , mas optou por afirmar que não havia como confirmar ainda se Shekau realmente havia sido morto. 

É a quarta vez que as forças nigerianas declaram a morte do terrorista, o que vem ocorrendo desde 2009, quando o grupo, fundado anos antes, ganhou notoriedade ao se radicalizar, tornando-se salafista jihadista – ideologia que prega o "verdadeiro islã" e o uso da violência para impor seus valores.

A primeira vez ocorreu quando Shekau ainda não era nem líder do grupo. Anos depois, em agosto de 2013, novamente o Exército nigeriano anunciou a informação, posteriormente negada por áudios e vídeos do terrorista. O anúncio de sua morte pelos nigerianos voltou a ocorrer em setembro de 2014 – e, no mesmo mês, o Exército de Camarões também divulgou ter matado o jihadista.

Os repetidos anúncios são, segundo oficiais do governo nigeriano, devido ao fato de Shekau possivelmente já ter morrido há tempos, mas impostores continuarem aparecendo como se fossem ele para perpetuar o mito de que o líder do Boko Haram é indestrutível. 

A nova morte

O comunicado da nova morte de Shekau não diz como os militares nigerianos obtiveram a informação. No caso de outros comandantes do Boko Haram, as autoridades do país garante que já estão com as "mortes confirmadas".

Os ataques aéreos ocorreram enquanto Shekau orava na sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, em uma vila de Taye, segundo texto assinado pelo porta-voz do Exército, coronel Sani Kukasheka Usman. De acordo com ele, estão confirmadas as mortes de Abubakar Mubi, Malam Nuhu e Malam Hamman, entre outros. Segundo o texto, o líder do grupo estaria "fatalmente ferido".

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Líder extremista jurou aliança ao Estado Islâmico, dando ao grupo extremista seu primeiro braço na África subsaariana
Wikimedia Commons
Líder extremista jurou aliança ao Estado Islâmico, dando ao grupo extremista seu primeiro braço na África subsaariana


O comunicado é divulgado no momento em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está em Abuja, capital nigeriana, para se reunir com o presidente Muhammadu Buhari. A dupla deve discutir o extremismo islâmico e a segurança regional.

Shekau foi responsável por iniciar um levante em 2009 que já matou 20 mil pessoas e forçou mais de 2,2 milhões a abandonarem suas casas, disseminando-se para além das fronteiras da Nigéria. A crise tem sido marcada por ataques violentos e atentados suicidas contra escolas, mesquitas e mercados, além do sequestro, em abril de 2014, de quase 300 alunas de um remoto colégio na cidade de Chibok , no nordeste nigeriano. Algumas dezenas delas conseguiram escapar, mas 218 seguem desaparecidas.

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O Boko Haram se mostra, no entanto, fragilizado devido a uma luta entre lideranças, no momento em que o Estado Islâmico anunciou que o grupo tem um novo líder, enquanto Shekau insiste em estar no comando do grupo nigeriano. No ano passado, o líder extremista jurou aliança ao EI , dando ao grupo extremista seu primeiro braço na África subsaariana.

* Com Estadão Conteúdo

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