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Fundador da organização que vaza documentos confidenciais desde 2006, Julian Assange vive na embaixada do Equador no Reino Unido há quatro anos

O fundador do Wikileaks, Julian Assange
David G Silvers/Creative Commons
O fundador do Wikileaks, Julian Assange

Um homem tentou nesta segunda-feira (22) invadir a embaixada do Equador em Londres, local onde o fundador do Wikileaks , Julian Assange, está exilado há quatro anos.

A informação foi anunciada em um breve comunicado do próprio Wikileaks, que divulgou que o homem conseguiu fugir após ter sido visto por seguranças da sede diplomática. De acordo com o grupo, a tentativa de invasão ocorreu por volta das 2h47 (22h47 no horário de Brasília).

Assange mora na embaixada do Equador desde 2012 e chegou a receber apoio até mesmo da Organização das Nações Unidas (ONU) , em fevereiro, quando solicitou uma indenização ao australiano.

O ativista, que ajudou a revelar milhares de documentos sigilosos do governo dos EUA em 2009, não pode sair da sede diplomática por ser alvo de uma acusação de abuso sexual de duas mulheres , ocorrida em 2010. Se deixar o local, ele será preso e poderá ser extraditado para os EUA.

Disputas Legais

O Wikileaks provocou controvérsias quando apareceu na internet, em dezembro de 2006, e ainda divide opiniões: para uns, é uma ameaça, para outros, representa o futuro do jornalismo investigativo.

Em março de 2010, quando ganhou repercussão mundial, o diretor do site, o australiano Julian Assange, publicou um documento supostamente emitido pelo serviço de inteligência americano declarando que o WikiLeaks representava uma "ameaça às Forças Armadas dos Estados Unidos". Mais tarde, o governo dos EUA confirmaram que os documentos eram verdadeiros.

LEIA TAMBÉM:  O que os EUA pensam dos líderes mundiais, segundo o Wikileaks

Qualquer um pode oferecer material ao site de forma anônima, mas uma equipe de revisores – voluntários da grande imprensa, jornalistas e funcionários do site – decide o que é publicado. 

A página diz que aceita "material confidencial, censurado ou restrito que tenha significância política, diplomática ou ética", mas não recebe "rumores, opiniões e outros tipos de reportagens em primeira mão ou material que já está disponível publicamente". 

Assange (à direita) ao lado de Ricardo Patiño, ex-ministro das Relações Exteriores do Equador, país que o protege
David G Silvers/Creative Commons
Assange (à direita) ao lado de Ricardo Patiño, ex-ministro das Relações Exteriores do Equador, país que o protege

O Wikileaks é administrado por uma organização conhecida como Sunshine Press e diz ser "financiado por campanhas pelos direitos humanos, jornalistas investigativos, tecnólogos e o público em geral". 

Em 2008, por exemplo, o banco suíço Julius Baer conseguiu que um tribunal bloqueasse o site após a publicação de centenas de documentos sobre as atividades internacionais do banco. Entretanto, vários "espelhos" da página – hospedados em diferentes servidores situados em várias partes do mundo – continuaram a operar. A ordem do tribunal acabou sendo revogada.

Segundo o WikiLeaks, seu sucesso em batalhas jurídicas se deve ao que o site chama de "hospedagem à prova de balas": ele é hospedado principalmente pelo provedor sueco PeRiQuito (PRQ), que ficou famoso por hospedar o site ilegal de trocas de arquivos de música The Pirate Bay. 

* Com informações da Ansa e da BBC

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