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Esta é a primeira vez que a Organização das Nações Unidas reconheceu o envolvimento involuntário na disseminação do surto em 2010 no país

Relatório apontou que a doença chegou ao Haiti com os capacetes azuis do Nepal, provavelmente no final de 2010
Valter Campanato/Fotos Públicas
Relatório apontou que a doença chegou ao Haiti com os capacetes azuis do Nepal, provavelmente no final de 2010

Cerca de seis anos após a e pidemia de cólera que matou aproximadamente 9 mil pessoas no Haiti , pela primeira vez as Nações Unidas (ONU) reconheceram seu envolvimento involuntário na disseminação do surto.

Em nota, representantes do secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, explicaram que "no ano passado, as Nações Unidas se deram conta de que precisam fazer muito mais a respeito de seu envolvimento desde o início da epidemia e do sofrimento das pessoas afetadas pelo cólera" que atingiu o Haiti em 2010. Ainda segundo a nota, uma resposta será elaborada nos próximos meses.

A declaração foi feita após um relatório divulgado no começo deste mês, apontar que a doença chegou ao país com os capacetes azuis do Nepal , provavelmente no final de 2010, dificultando o já difícil panorama do país após o terremoto que devastou a ilha naquele mesmo ano.

Também de acordo com o documento, a recusa da ONU em reconhecer sua culpa no episódio e oferecer uma indenização "é moralmente inconcebível, legalmente indefensável e politicamente contraproducente".

Recusa da ONU em reconhecer a culpa no episódio e oferecer indenização
Valter Campanato/Fotos Públicas
Recusa da ONU em reconhecer a culpa no episódio e oferecer indenização "é moralmente inconcebível", afirma nota

O cólera causa diarreia, vômitos e desidratação e pode ser curado, desde que seja diagnosticado a tempo. A epidemia no Haiti poderia ter sido contida com cuidados básicos como ingestão de água tratada e higienização dos alimentos, mas as condições precárias dos mais de um milhão de desabrigados deixados pelo terremoto se tornaram um empecilho.

Indenização

Em novembro de 2011, o Instituto para a Justiça e a Democracia no Haiti, com sede em Boston, apresentou uma petição na sede da ONU  solicitando um mínimo de US$ 100 mil para as famílias de cada pessoa morta por cólera, e pelo menos US$ 50 mil por cada vítima que tenha adoecido. Cerca de 5 mil pessoas entraram com ações legais para exigir o pagamento.

Em fevereiro de 2013, um porta-voz da ONU declarou que a indenização não constava no artigo 29 da Convenção sobre Privilégios e Imunidades, que trata de disputas envolvendo representantes da ONU com imunidade diplomática.

Na época, o Instituto para a Justiça e a Democracia no Haiti se disse frustrado com a decisão da ONU, e afirmou que recorreria à Justiça.

*Com informações da Ansa