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Queimadas durante a última semana já mataram pelo menos cinco pessoas nos dois países, e centenas de moradores foram forçados a sair de casa

Autoridades em Portugal disseram que quase dois mil bombeiros estão trabalhando para conter o fogo em 40 pontos
Twitter/ Defesa Nacional/ Reprodução
Autoridades em Portugal disseram que quase dois mil bombeiros estão trabalhando para conter o fogo em 40 pontos

Bombeiros ainda tentam conter dezenas de queimadas florestais em Portugal e na Espanha, após uma semana da pior destruição causada por incêndio em anos  nas montanhas da Península Ibérica. Imagens televisionadas de ambos os países mostraram residentes encharcando suas casas de madeiras para tentar afastar as chamas.

Os incêndios , que foram intensificados pelos fortes ventos e altas temperaturas, já mataram pelo menos quatro pessoas em Portugal e uma na Espanha durante a última semana. Centenas de moradores foram forçados a deixar suas casas.

Nesta segunda-feira (15), as autoridades em Portugal disseram que quase dois mil bombeiros estão trabalhando para conter o fogo em 40 pontos em todo o país, e dez aviões têm despejado água pelo local. 

Na Espanha, outros dez aviões e helicópteros estão ajudando a reduzir as queimadas na província de Galiza, que já perdeu cerca de 7.000 hectares. O governo afirmou que cinco bombeiros foram levados para o hospital – quatro devido à inalação de fumaça e um por causa de lesões sofridas durante um acidente.

Na semana passada, mais de 12 grandes incêndios florestais forçaram a implantação de quase 4.500 bombeiros em Portugal. O pior incêndio atingiu a capital da ilha da Madeira , onde três pessoas idosas morreram e mais de 300 ficaram feridas. Casas e resorts foram queimados. 

A polícia da Espanha fez várias prisões de suspeitos que tenham começado as queimadas. Um incêndio devastador particularmente nas Ilhas Canárias foi iniciado involuntariamente quando um alemão tentou queimar seu papel higiênico sujo, provocando as chamas que destruíram 4.000 hectares de floresta em La Palma.

El Niño

Pará e Mato Grosso lideram o chamado Índice Sazonal da Severidade de Fogo, com 98% e 97% de chance de incêndios
Reprodução/Fapeam
Pará e Mato Grosso lideram o chamado Índice Sazonal da Severidade de Fogo, com 98% e 97% de chance de incêndios

No Brasil, a Amazônia pode ter neste ano a pior temporada de queimadas  já registrada na sua história. Reflexo do intenso El Niño que atinge o planeta desde o ano passado, a região vem sofrendo um ressecamento do solo que deve chegar ao auge ainda este mês. É o que aponta levantamento feito pela Nasa junto a universidades americanas.

A análise leva em conta a temperatura da superfície do Oceano Pacífico, que aumenta com a ocorrência do El Niño. De acordo com os pesquisadores, no ano passado ela foi a mais alta desde que esse monitoramento começou a ser feito, em 2001.

Sem chuva, diminui a umidade do solo, deixando as árvores secas, o que aumenta o risco de queimadas. A previsão é de pelo menos 92% de risco de fogo para a floresta, considerando a análise feita em dez regiões. Pará e Mato Grosso lideram o chamado Índice Sazonal da Severidade de Fogo, com respectivamente 98% e 97% de chance de incêndios.

"Com as análises de satélite da Nasa, nós observamos que o forte El Niño deixou o sul da Amazônia mais seco no começo da temporada de fogo em anos que tiveram secas severas, como em 2005 e 2010", explica Douglas Morton, pesquisador da Nasa e um dos responsáveis pelo estudo.

Mesmo na temporada úmida, de janeiro a abril, o índice de incêndios na Amazônia já ficou bem acima do observado antes. "Os dados mostram que a região já está rumo a uma temporada de fogo extrema em 2016", resume Morton.

* Com informações do Estadão Conteúdo