Tamanho do texto

Partido de Erdogan orientou comitês e municípios governados pela legenda a intensificar perseguição contra as pessoas suspeitas de ter ligação com golpe

 Erdogan pediu prisão ao suspeito de orquestrar tentativa de golpe na Turquia e deve pedir extradição aos EUA
Reprodução/Twitter
Erdogan pediu prisão ao suspeito de orquestrar tentativa de golpe na Turquia e deve pedir extradição aos EUA


Nesta sexta-feira (5), o partido governista da Turquia, Justiça e Desenvolvimento, orientou os comitês e municípios que respondem à legenda a afastar de cargos públicos pessoas suspeitas de apoiar o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, acusado pelo governo de instigar a fracassada tentativa de golpe no dia 15 de julho .

LEIA MAIS: Por que a estabilidade da Turquia é importante para o mundo

O muçulmano nega envolvimento na tentativa golpe, que matou mais de 270 pessoas. Ainda assim, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), fundado pelo atual presidente Recep Tayyip Erdogan, emitiu uma nota na qual determina que seus integrantes "comecem imediatamente os esforços para purgar aqueles ligados" ao movimento de Gulen ou que tenham dado apoio ao golpe fracassado na Turquia .

Para o governo turco, Fethullah Gulen é o responsável por orquestrar a tentativa de golpe junto com membros das Forças Armadas. A Turquia acredita ainda que o movimento do religioso, que inclui agências de caridade, escolas e negócios pelo mundo, seja uma organização terrorista.

Visita

O comunicado do partido foi emitido horas antes da chegada do presidente do Casaquistão, Nursultan Nazarbayev, à Turquia. Essa é a primeira vez que um chefe de Estado visita o país após a tentativa de golpe e o governo turco deve pressionar o país aliado a perseguir entidades ligadas a Gulen.

Desde a tentativa de golpe, quase 70 mil pessoas foram afastadas ou suspensas de seus cargos no Judiciário, no funcionalismo público, nos setores de educação, comunicação, saúde e nas Forças Armadas – sob suspeita de terem apoiado a ação que tentou depor o presidente Erdogan. Além das demissões, cerca de 18 mil pessoas foram presas – a maioria delas militares .

Manifestantes paquistaneses realizam ato de apoio ao Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no Paquistão
AAMIR QURESHI/AGENCE FRANCE PRESSE/ESTADÃO CONTEÚDO
Manifestantes paquistaneses realizam ato de apoio ao Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no Paquistão


Jornalistas de veículos não governistas  e ex-empregados ligados a Gulen também foram alvo de perseguição do governo turco. Nesta sexta-feira (5), 12 jornalistas que trabalhavam para o jornal Zaman foram presos para esperar pelo julgamento, entre eles o colunista Mumtazer Turkone. Seis outros jornalistas foram detidos na semana passada e também serão julgados.

LEIA MAIS: Manifestante tenta parar dois tanques na Turquia, é atropelado mas sai vivo

Nessa quinta-feira (4), a Turquia emitiu um mandado de prisão contra Gulen, por ele supostamente ter determinado o golpe. Analistas veem a medida é vista como manobra inicial para um posterior pedido formal de extradição para os Estados Unidos .

*Com informações do Estadão Conteúdo

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.