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Contra liderança da Venezuela, ministro brasileiro quer a criação de um conselho formado por outros países do Mercosul para conduzir o bloco

Para Serra, Venezuela não tem condições de conduzir o grupo, também formado por Argentina, Paraguai e Uruguai
Jayson Braga/Estadão Conteúdo - 27.07.2016
Para Serra, Venezuela não tem condições de conduzir o grupo, também formado por Argentina, Paraguai e Uruguai


Em meio ao impasse sobre a presidência da Venezuela no Mercosul , o ministro das Relações Exteriores, José Serra, defendeu nesta quinta-feira (4)  a criação de um "conselho informal" para conduzir as atividades do bloco.

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Na avaliação do ministro, a Venezuela não tem condições de conduzir o grupo, também formado por Argentina, Paraguai e Uruguai – além do Brasil.  O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, insiste que o país exercerá plenamente o comando do Mercosul.  

"[A solução] é pegar os embaixadores dos países no Mercosul e eles fazerem um conselho informal para tocar os assuntos", afirmou Serra. " [A Venezuela] imagina que o Mercosul deveria funcionar em Caracas. É inteiramente utópico imaginar essa possibilidade", ressaltou o ministro.

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No Senado, o líder do governo, Aloysio Nunes (PSDB-SP), endossou a posição do ministro e considerou que a Venezuela não tem condições de assumir o comando do bloco. "O governo venezuelano não cumpriu o cronograma de incorporação das normas de seu Protocolo de Adesão [ao Mercosul], admitindo que não incorporará mais de 100 normas a tempo para cumprir o prazo estabelecido no protocolo", disse o tucano em mensagem encaminhada à Comissão de Relações Exteriores do Senado.

 Aloysio Nunes  endossou a posição de Serra e considerou que a Venezuela não tem condições de assumir o bloco
Luis Nova/Estadão Conteúdo - 04/08/2016
Aloysio Nunes endossou a posição de Serra e considerou que a Venezuela não tem condições de assumir o bloco



Nesta quinta-feira, representantes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estarão reunidos em Montevidéu para discutir uma solução para o impasse gerado com a Venezuela. Segundo o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, os documentos do protocolo de adesão da Venezuela serão avaliados.

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"É uma reunião que procura encontrar um caminho. Acho que o próprio fato de ela ter sido feita entre os quatro países do Mercosul já é um bom sinal. Eu acredito que vamos chegar a uma solução, se não agora, logo, para essa fase de transição até janeiro, quando então deveria assumir o presidente da Argentina, Maurício Macri, a presidência do Mercosul", assegurou José Serra.

Na avaliação do ministro, o impasse com a Venezuela não vai impedir que o bloco dê continuidade às atividades previstas para este semestre. "Vamos continuar tocando, não vai ficar parado. Muita coisa não precisa de presidente para ir para frente. Se o Mercosul realizar tudo o que foi acordado, já teria trabalho suficiente. Não vai ficar parado não", ressaltou.

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Palácio de Miraflores/Divulgação
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As declarações de Serra ocorreram após reunião com o presidente da Confederação Suíça e conselheiro federal de Assuntos Econômicos, Educação e Pesquisa, Johann Schneider-Ammann.

No encontro, além dos problemas da Venezuela, foi tratada a possibilidade de aprofundamento na relação entre o Mercosul e a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA). Segundo Serra, um encontro entre representantes dos dois grupos de países deverá ocorrer até o final deste ano.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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