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Arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun, agradeceu aos fiéis de outras religiões, entre eles muçulmanos e judeus, que participaram do ato religioso

Policiais patrulham as ruas da cidade de Saint- Etienne-du-Rouvray, França, onde um padre de 84 anos foi degolado
Matthieu Alexandre/Agence France Presse/Estadão Conteúdo - 26.07.2016
Policiais patrulham as ruas da cidade de Saint- Etienne-du-Rouvray, França, onde um padre de 84 anos foi degolado

Milheres de pessoas se reuniram na França, para o funeral do padre Jacques Hamel, degolado na semana passada por jihadistas do Estado Islâmico enquanto celebrava uma missa na igreja de Saint-Etienne-du Rouvrier. A cerimônia acontece na catedral de Rouen.

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Temendo novos ataques, a segurança foi reforçada para a realização do funeral. Todos que tentavam se aproximar do local passavam por uma rigorosa revista. O ministro do Interior da França , Bernard Cazeneuve, esteve presente na cerimônia.

O arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun, agradeceu aos fiéis de outras religiões, entre eles muçulmanos e judeus, que participaram do ato religioso. Estamos "unidos para que isso não aconteça mais", disse Lebrun. Calcula-se que mais de 2 mil pessoas tenham comparecido ao ato.

Entenda : terroristas ligados ao Estado Islâmico invadem igreja e degolam padre 

Um padre foi degolado em um ataque terrorista realizado na comuna de Saint-Etienne-du-Rouvray, nas proximidades da cidade francesa de Rouen, localizada a cerca de duas horas de carro de Paris, na manhã da terça-feira (26). 

De acordo com testemunhas, os terroristas invadiram a igreja com facas e gritando que agiam em defesa do Estado Islâmico, grupo que desde o final do ano passado, quando ocorreram os ataques que deixaram 130 mortos em Paris,  vem reforçando os ataques no exterior. O EI reivindicou a autoria do atentado.

O padre morto foi identificado Jacques Hamel, de 86 anos. Durante a ação, realizada por volta das 9h, no momento em que ocorria uma missa, ele foi mantido como refém pelo grupo ao lado de duas freiras e outras pessoas que estavam no local para as orações da manhã. 

Assim que foi confirmado o ataque, o presidente da França, François Hollande, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, se prontificaram a viajar para a comunidade para acompanhar o desenrolar do atentado. "Dirijo-me às famílias e a todos os católicos da França a solidariedade ea compaixão da nação", escreveu o chefe do Poder Executivo nas redes sociais.

Dois terroristas que participaram da ação foram mortos pelas forças de segurança. Um suspeito de integrar o grupo responsável pelo ataque foi preso. Um dos terroristas foi identificado como Adel Kermiche, de 19 anos. Ele teria tentado se juntar a milícias jihadistas na Síria em duas ocasiões. 

Estado de emergência

Desde novembro do ano passado, após os ataques ocorridos nas ruas de Paris, a França se encontra em estado de emergência, medida que dá ao governo o direito de suspender direitos e realizar ações excepcionais devido ao risco de novos atentados. 

Hollande chegou a afirmar que não prorrogaria a medida, mas acabou voltando atrás depois de um homem – que assim como os terroristas de Paris era ligado ao Estado Islâmico – ter matado 84 pessoas atropeladas  com um caminhão na orla da praia de Nice, no sul da França. 

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