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Bombardeios foram autorizados pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sob a recomendação do secretário de Defesa americano, Ash Carter

Estados Unidos estão bombardeando bases estratégicas do grupo terrorista Estado Islâmico, na Líbia, nesta segunda
Arquivo Ansa
Estados Unidos estão bombardeando bases estratégicas do grupo terrorista Estado Islâmico, na Líbia, nesta segunda

Os Estados Unidos estão bombardeando bases estratégicas do grupo terrorista Estado Islâmico, na Líbia, nesta segunda-feira (1º), confirmou o Pentágono. Segundo o porta-voz do órgão, Peter Cook, os ataques miram os "paraísos seguros" do EI no país e foram autorizados pelo presidente norte-americano, Barack Obama, sob recomendação do secretário de Defesa, Ash Carter. Até o momento, essas ações eram realizadas apenas na Síria  e no Iraque.

Com isso, os EUA abrem uma frente nova, mais persistente, em oposição ao grupo extremista. Os bombardeios contra o Estado Islâmico foram solicitados pelo novo governo de unidade da Líbia, por meio do primeiro-ministro, Fayez al-Sarraj. De acordo com o premier, as primeiras bombas lançadas em Sirte, onde há uma maior presença dos extremistas, começaram a ser lançadas nesta segunda-feira.

Em discurso na TV local, Sarraj informou que "caças norte-americanos efetuaram ataques aéreos contra o EI em Sirte , conforme solicitação apresentada pelo Conselho Presidencial do governo de unidade nacional e em coordenação com a Sala de Comando Al-Bunyan Al-Marsous". O premiê destacou que os ataques desta segunda-feira "atingiram alguns postos do EI em Sirte, causando pesadas perdas" aos terroristas.

Os ataques tiveram como alvo tanques e outros veículos do Estado Islâmico e são realizados em meio a crescentes preocupações sobre a crescente ameaça do grupo para a Europa e sua capacidade de inspirar ataques. Sarraj disse que o conselho presidencial fez um pedido por ataques aéreos específicos dos EUA.

"A ajuda aérea será limitada a um período de tempo bem determinado, na área de Sirte e em sua periferia e não haverá presença militar norte-americana em solo", disse al-Sarraj. Em junho, os militares líbios haviam anunciado avanços contra os jihadistas, retomando o controle do porto da cidade.

Ataques feitos pelos Estados Unidos  tiveram como alvo tanques e outros veículos do grupo extremista Estado Islâmico
Reprodução/Youtube
Ataques feitos pelos Estados Unidos tiveram como alvo tanques e outros veículos do grupo extremista Estado Islâmico

Autoridades dos EUA estimaram neste ano que havia até 6 mil insurgentes do Estado Islâmico na Líbia, entre eles alguns que abandonaram a Síria. Nos últimos meses, porém, o número deles diminuiu e o grupo se enfraquece, sob pressão de milícias locais e do governo apoiado pela ONU. 

Na semana passada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que os combatentes do Estado Islâmico na Líbia enfrentam a "possibilidade direta" de derrota em seu último bastião. O general Dunford estimou em meados de julho que havia apenas algumas centenas de militantes ainda dentro de Sirte, que o grupo usava como quartel-general.

A Líbia sofre com um quadro caótico após a deposição e morte do ditador Muamar Kadafi em 2011. O vácuo de poder levou à criação de várias milícias e militantes, entre eles o Estado Islâmico e rebeldes ligados à rede Al-Qaeda.

Desde 2014, a Líbia está dividida entre governos rivais, no leste e oeste do país, cada um apoiado por diferentes milícias e tribos. A ONU impulsionou um acordo em dezembro  para buscar a criação de um governo de união, mas o pacto prevê dois anos de um período de transição, para depois se votar uma proposta de Constituição e se realizar eleições presidenciais e parlamentares. As milícias pró-governo, sobretudo da cidade de Misurata, têm lançado uma ofensiva contra o Estado Islâmico em Sirte desde maio.

* Com informações da Ansa e do Estadão Conteúdo

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