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Presidente turco diz não ter intenção de "inibir" jornalistas de exercerem atividades; ONG afirma que detidos são sujeitos a tratamentos degradantes

Tentativa de golpe militar contra governo de Erdogan deixou 290 mortos e motivou a prisão de milhares de civis na Turquia
Yasin Akgul/AFP/Estadão Conteúdo - 15.7.16
Tentativa de golpe militar contra governo de Erdogan deixou 290 mortos e motivou a prisão de milhares de civis na Turquia


Autoridades turcas emitiram o pedido para prisão de 42 jornalistas e 31 acadêmicos, afirmaram mídias locais nesta segunda-feira (25). A medida é vista como mais uma tentativa do governo de Erdogan de reprimir pessoas ligadas ao clérigo Fetthulah Gulen, acusado de ser um dos mentores da fracassada tentativa de golpe militar no país , ocorrida no último dia 15. 

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A agência estatal de notícias “Anadolu” afirma que a lista de jornalistas inclui o escritor Nazli Ilicak, conhecido como um dos críticos do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan. Ilicak, porém, se opôs à perseguição do movimento liderado por Gulen. Principal acusado de ser o mentor do golpe, o clérigo nega ter participado da insurreição que deixou 290 mortos e motivou a prisão de milhares de pessoas.

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O presidente da Turquia assegura que os pedidos de prisão dos jornalistas foram realizadas para esclarecer quem são os culpados pela tentativa de golpe e “não para inibir sua atividade”, garante uma autoridade do gabinete de Erdogan. Até esta segunda-feira (25), cinco jornalistas haviam sido detidos e devem passar por interrogatórios nos próximos dias.

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que não tem a intenção de
Reprodução/Twitter
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que não tem a intenção de "inibir" os jornalistas de suas atividades


Os acadêmicos acusados foram detidos para interrogatório em Istambul e outras províncias. Houve também intervenção em uma academia militar.

Tentativa Fracassada

Desde que sofreu uma tentativa fracassada de golpe, Erdogan suspendeu os direitos civis garantidos pela Comissão Europeia de Direitos Humanos, demitiu milhares de pessoas do setor público, fechou instituições, cancelou passaportes e trouxe à tona a pena de morte, atitudes que foram reprimidas pelos EUA e pela União Europeia. 

Desde então, o governo turco prendeu cerca de 13 mil pessoas nos meios militar, jurídico e acadêmico. Outras dezenas de milhares perderam seus empregos por suspeita de manter laços com os conspiradores do golpe.  O grupo de direitos humanos Anistia Internacional diz ter evidências de que os detidos foram sujeitos a tratamento degradante, que inclui espancamento e tortura. 

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Paralelamente, a Alta Corte apontou 342 novos juízes para duas das cortes mais importantes do país, o que foi denunciado por críticos como um movimento para se livrar de pessoas que se opõem a Erdogan.

Nesta segunda-feira, líderes políticos turcos, incluindo autoridades da oposição, devem se reunir com o presidente Erdogan para discutir os rumos do país, um sinal sem precedentes de unidade contra o golpe. 

*Com informações do Estadão Conteúdo