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Ministro das Relações Exteriores quer 'atrasar' a transferência do cargo para Caracas; Maduro rebateu iniciativa: "Rechaço as insolentes e amorais declarações do chanceler do Brasil"

Serra se encontrou com chefes de estado para tentar atrasar transferência ao país de Maduro
Marcos Oliveira/Agência Senado
Serra se encontrou com chefes de estado para tentar atrasar transferência ao país de Maduro


O ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, está unindo esforços para evitar que a Venezuela assuma a presidência temporária do Mercosul. O chanceler convidou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um encontro com o mandatário uruguaio, Tabaré Vázquez, em Montevidéu, para articular uma manobra que evite o feito.

O encontro também contou com a presença de Rodolfo Nin Novoa, chanceler do Uruguai, país que preside atualmente o Mercosul. A ideia é que Montevidéu "atrase" até agosto a transferência do cargo para Caracas, que enfrenta uma série de instabilidades políticas e econômicas internas, ameaçando a integridade do governo de Nicolás Maduro. Além disso, o país ainda não apresentou todas as garantias para integrar o bloco regional, como a adesão ao acordo tarifário.

A Venezuela entrou oficialmente para o Mercosul em 2012, após a suspensão do Paraguai, que foi punido temporariamente pelo impeachment contra o então presidente Fernando Lugo. O bloco também é formado pela Argentina e tem como objetivo promover a integração comercial na região da América do Sul.

Os chanceleres do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai deverão se reunir na próxima segunda-feira (11), em Montevidéu, para tentar encontrar uma solução para a presidência temporária do Mercosul no segundo semestre de 2016. A transferência do cargo deveria ocorrer dia 12.

Governo de Nicolas Maduro passa por diversas crises de cunho político e econômico
Marcos Oliveira/Agência Senado
Governo de Nicolas Maduro passa por diversas crises de cunho político e econômico


A manobra de Serra gerou uma reação imediata do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no Twitter. "A República Bolivariana da Venezuela rechaça as insolentes e amorais declarações do chanceler de facto do Brasil", escreveu. Ele também acusou o Brasil de sofrer um golpe de Estado que "vulnera a vontade de milhões de cidadãos que votaram em Dilma".

"O chanceler de facto José Serra se soma à conspiração da direita internacional contra a Venezuela e vulnera princípios básicos que regem as relações internacionais", criticou Maduro.

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