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Atentados suicidas como os que deixaram mais de 70 mortos em Istambul e em Bruxelas desafiam sistemas de segurança; especialista destaca serviços de inteligência para evitar ataques

BBC

O Aeroporto Ataturk, em Istambul, na Turquia, é o terceiro maior da Europa
Agence France Presse/Estadão Conteúdo - 28.06.16
O Aeroporto Ataturk, em Istambul, na Turquia, é o terceiro maior da Europa

"O que mudou nos últimos anos é o elemento suicida. É difícil combater pessoas dispostas a explodir a si mesmas."

Essas são as palavras de Norman Shanks, que gerenciava a segurança dos maiores aeroportos do Reino Unido e estava no comando de Heathrow, o principal aeroporto britânico, em 1988, quando uma bomba derrubou um jumbo e resultou na morte de 270 pessoas.

Na época, Shanks transferiu os postos de controle para fora do terminal, pensando que isso o tornaria mais seguro. Mas logo percebeu que a medida havia apenas tranferido o problema para o lado de fora do aeroporto.

"Se teve qualquer efeito foi o de elevar a insegurança, porque os passageiros ficaram amontoados nas calçadas, deixando-os vulneráveis."

Qualquer lugar que reúna muitas pessoas é um alvo, não importando quantos policiais estejam presentes ali. Então, como impedir ataques a aeroportos?

Pessoas feridas e destruição na entrada do Aeroporto de Ataturk, em Istambul, na Turquia
Agence France Presse/Estadão Conteúdo - 28.06.16
Pessoas feridas e destruição na entrada do Aeroporto de Ataturk, em Istambul, na Turquia

Nesta terça-feira (28), o aeroporto internacional de Istambul, um dos mais movimentados da Europa, foi alvo de um atentado a bombas e tiros, que deixou ao menos 41 mortos – 13 deles estrangeiros – e 239 feridos. Nenhum grupo assumiu até o momento a autoria do ataque, mas autoridades turcas dizem que investigações iniciais apontam para o grupo autodenominado Estado Islâmico.

Em 22 de março, em Bruxelas (Bélgica), explosões atingiram o saguão do aeroporto de Zaventem e uma estação de metrô, com um saldo de 35 mortos.

Inteligência
Shanks diz que a melhor forma de proteger aeroportos é usar informações de inteligência. Em outras palavras, identificar um ataque com antecedência, empregar tecnologia de reconhecimento facial para encontrar suspeitos por meio de imagens de câmeras de segurança e ensinar funcionários a notar comportamentos estranhos.

Por exemplo, ele diz ter chamado sua atenção o fato de os homens que atacaram o aeroporto de Bruxelas não estarem carregando bagagem – algo suspeito em um aeroporto. "Ninguém mais viaja assim hoje em dia."

Vídeo mostra desespero em aeroporto de Istambul antes de ataque a bomba:

A segurança de aeroportos foi bastante reforçada em anos recentes. Hoje, sapatos precisam ser checados, e há restrições para líquidos – duas medidas aplicadas após ataques serem impedidos, um com uma bomba em um sapato e outro com explosivos líquidos. Os aparelhos de raio-x também melhoraram.

Mas Shanks afirma que o controle de segurança aplicado a funcionários deveria ser mais rígido em alguns aeroportos do mundo.

Ele diz se preocupar com "a ameaça interna: os riscos de funcionários levarem algo escondido para dentro do avião", apesar de, ao menos em alguns países, tripulantes passarem por checagens de segurança.

Mesmo a comida servida no avião é lacrada antes de chegar ao aeroporto, e, caso o lacre seja violado, sua entrada não é permitida.

Questionado se os responsáveis por ataques têm evitado sequestrar ou plantar bombas nas aeronaves e se concentrado nos terminais, ele diz: "Não, é apenas um outro alvo. Ainda tivemos o atentado ao Metrojet".

Acredita-se que o voo 9268 da Metrojet tenha sido derrubado no ano passado por uma bomba quando estava a caminho do Egito para a Rússia.

No entanto, ele acredita que o atentado desta terça na Turquia não tenha relação com o setor aéreo.

"Não vejo como um ataque à aviação. Eles apenas escolheram um lugar onde há pessoas reunidas. Pode ser um shopping da próxima vez, ou uma estação de trem."

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