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Líderes europeus de extrema-direita comemoraram resultado britânico e se articulam para desligar outros países do bloco

Líder do partido conservador Ukip, Nigel Farage foi o nome à frente da campanha pelo Brexit
Stefan Wermuth/Reuters
Líder do partido conservador Ukip, Nigel Farage foi o nome à frente da campanha pelo Brexit


A decisão dos eleitores britânicos a favor da saída do Reino Unido da União Europeia provocou uma onda de pedidos por plebiscitos semelhantes por parte de partidos de extrema-direita de outros países membros do bloco.

Em votação apertada, 51,9% dos eleitores britânicos aprovaram o chamado "Brexit" (junção de palavras que significa saída britânica), contra 48,1% dos eleitores que apoiaram a permanência do país no bloco. O resultado fez com que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciasse que pretende deixar o cargo.

Analistas afirmam que a saída do Reino Unido pode causar um efeito dominó e ameaçar todo o bloco. Após o anúncio do resultado, na manhã desta sexta-feira (24), bolsas internacionais abriram em queda e a libra esterlina atingiu seu menor valor em décadas.

Nigel Farage, líder do partido de extema-direita Ukip e um dos maiores entusiastas da saída do Reino Unido do bloco, disse esperar que o exemplo britânico seja o início de um processo maior de desintegração da UE. "A União Europeia está enfraquecida, a União Europeia está morrendo", disparou Farage em discurso na capital, Londres.

"Um pesquisa na Holanda mostrou que a maioria lá agora que sairdo bloco, então, talvez estejamos próximos de um Nexit (junção de palavras em referência à saída da Holanda – Netherlands, em inglês). De modo similar, na Dinamarca, a maioria é a favor da saída. Soube que o mesmo se aplica à Suécia, talvez Áustria e talvez até à Itália", disse o político britânico

Após decisão, primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que vai deixar o cargo
Stefan Wermuth/Reuters - 24.06.2016
Após decisão, primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que vai deixar o cargo


Reações

Logo após o anúncio do resultado britânico, políticos de partidos de extrema-direita na Holanda, na França e na Itália pediram pela realização de consultas pela saída da União Europeia em seus respectivos países.

Marine Le Pen, líder do partido francês Frente Nacional, afirmou que os cidadãos de seu país deveriam ter o direito de opinar a respeito da permanência no bloco. "Vitória da liberdade. Como há anos venho dizendo, nós devemos ter o mesmo referendo na França e em outros países europeus", declarou Le Pen, que está entre as favoritas para as eleições presidenciais francesas no ano que vem.

Na Holanda, o líder anti-imigração Geert Wilders disse que os holandeses "querem estar no comando de seu país, de seu dinheiro, de suas fronteiras e de suas políticas de imigração". "Os holandeses devem ter a oportunidade de se pronunciar o quanto antes a respeito da permanência na União Europeia", acredita Wilders. Um dado recente sugere que 54% dos holandeses querem um referendo sobre a permanência na UE.

Já Mateo Salvini, líder do partido italiano Liga Norte, declarou em sua conta do Twitter: "Viva a coragem dos cidadãos livres! Coração, cérebro e orgulho derrotaram as mentiras, ameaças e chantagens. Obrigado, agora é nossa vez".

Na Dinamarca, o Partido Popular, que quer renegociações com UE, saudou a decisão "corajosa" dos britânicos, mas afirmou que todos "devem manter a cabeça no lugar".

Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk diz que o bloco está disposto a se manter unido
Francois Lenoir/Reuters - 24.06.2016
Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk diz que o bloco está disposto a se manter unido


Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu (que reúne os chefes de Estado dos países membros para definir a agenda política da UE), Donald Tusk, disse que não é hora de "reações histéricas". Em uma primeira declaração após conhecer o resultado do plebiscito britânico, Tusk afirmou que os outros membros do bloco estão "determinados a manter a unidade" e veem a UE como "o marco de um futuro comum".

“Preço alto”

Os governantes do bloco se reunirão sem o Reino Unido às margens da cúpula do Conselho Europeu que será realizada em Bruxelas na semana que vem. "Vou propor que iniciemos uma reflexão mais ampla sobre o futuro de nossa União", antecipou Tusk.

A ideia é responder aos motivos que fizeram a rejeição à UE chegar ao máximo histórico de 47% no início de junho e que alimentam os argumentos dos partidos populistas-nacionalistas.

Mas, por trás das aparências, a mobilização para evitar um “efeito dominó” é grande e contempla retaliações ao sócio dissidente. Segundo um diplomata, os ministros de Relações Exteriores dos seis países fundadores da UE – França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Itália e Luxemburgo – se reunirão no sábado (25), em Berlim, para analisar as consequências políticas da saída britânica.

Presidente do Parlamento Europeu, o socialista alemão Martin Schulz defende que o Reino Unido pague um "preço alto" por sua decisão, como maneira de desencorajar consultas similares em outros países.