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Reunião acontece em meio à piora da crise social e política no país, que atravessa crise de abastecimento e revolta popular

Reuters

A crise humanitária afeta toda a população, que sofre com a falta de alimentos e produtos básicos
Mariana Bazo/Reuters - 21.6.2016
A crise humanitária afeta toda a população, que sofre com a falta de alimentos e produtos básicos

O secretário-geral da Organização do Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, juntou-se ao coro de líderes internacionais que pressionam a Venezuela a enfrentar sua crise humanitária, ao mesmo tempo em que persegue oposicionistas.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (23), Almagro fez um apelo para que governos que fazem parte da entidade de 34 países "fiquem do lado certo da história e defendam aqueles que não têm voz".

Almagro pediu uma sessão especial da OEA para denunciar aquilo que considera sérias ameaças à ordem democrática na Venezuela.

Por sua vez, a ministra de Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodriguez, denunciou a reunião como um golpe. Ela afirmou que Almagro quer derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro e que exagera a situação da Venezuela.

"Não há crise humanitária", disse.

A reunião acontece em meio à piora da crise social e política da Venezuela. Segundo pesquisas, a maioria dos venezuelanos não tem dinheiro para comprar alimentos e o país tem sido movimentado por semanas de protestos por comida e saques. Hospitais não têm medicamentos o suficiente, e equipamentos médicos essenciais como incubadoras estão cada vez mais escassos.

Ao mesmo tempo, a oposição tenta lançar uma campanha para derrubar Maduro. O processo, no entanto, tem sido atrasado por vias legais e também por protestos nas estradas.

A maioria dos países da OEA concordou em dar apoio ao diálogo na Venezuela, mas poucas propostas concretas surgiram.

A pressão cresce para que a Venezuela faça concessões. O diplomata norte-americano Thomas Shannon viajou a Caracas para se encontrar com Maduro. O ex-primeiro-ministro Jose Luis Rodriguez Zapatero tentou, no início do mês, mediar as negociações entre o governo e a oposição.

As medidas intervencionistas de Nicolas Maduro são constantemente criticadas pela oposição
Fabio Pozzebom/Agência
As medidas intervencionistas de Nicolas Maduro são constantemente criticadas pela oposição

Maduro, no entanto, aposta em seu tratamento habitual frente à oposição, e denuncia qualquer país que acredita estar se metendo nos assuntos internos. O governo levantou acusações contra outros dois ativistas políticos esta semana, e afirmou também que o referendo sobre a presidência não será feita este ano.

Quando convocou a reunião, Almagro invocou a cláusula democrática da OEA, uma ferramenta que o então presidente Hugo Chávez apoiou há 15 anos, quando foi implementada, para dar à organização meios de punir governos que se tornassem autocráticos. A cláusula foi usada temporariamente para suspender Honduras após o golpe militar de 2009.

Protestos se tornaram corriqueiros no país; veja imagens: