Tamanho do texto

Sem identificação, não há evidências de que objetos eram das vítimas do MH370; pertences apareceram em praia próxima ao local onde foram encontrados destroços depois do acidente

BBC

O advogado norte-americano Blaine Gibson encontrou os objetos em praia de Madasgacar
Blaine Gibson/BBC
O advogado norte-americano Blaine Gibson encontrou os objetos em praia de Madasgacar


Fotos de objetos pessoais descobertos em uma praia de Madagascar foram divulgadas nesta segunda-feira (20), em uma tentativa de identificá-los como sendo de passageiros do voo desaparecido MH370. São cerca de 20 itens, incluindo bolsas, mochilas e uma capa de notebook. Mas não há indicação de que os objetos tenham pertencido às 239 pessoas a bordo do avião que sumiu dos radares há dois anos. Nenhum deles está identificado com nomes de passageiros, por exemplo.

Os itens foram encontrados pelo advogado americano Blaine Gibson. Ele admite, contudo, que os objetos podem ser irrelevantes na busca pelo MH370. "Eles podem ter caído de um navio", disse Gibson. "Ainda assim, flagrei esses objetos nos mesmos 18 km de praia onde descobri destroços que poderiam ser da aeronave da Malaysia Airlines. Por essa razão, é importante que eles sejam investigados corretamente".

O MH370 desapareceu quando seguia de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China, em março de 2014, e teria caído em algum ponto do sul do Oceano Índico após um desvio de rota.

Gibson, que financiou sua própria busca pelos destroços do MH370 no leste da África, diz ter encontrado os objetos no início de junho na praia de Riake, na ilha Sainte-Marie (ou Nosy Boraha), no nordeste de Madagascar.

Além dos objetos, o advogado também descobriu duas peças de fuselagem que poderiam ser da aeronave. Anteriormente, Gibson já havia encontrado três pedaços de fuselagem de avião na área. As imagens foram reunidas no site Aircrash Support Group Australia. O objetivo é "assegurar que todo mundo tenha o direito e a oportunidade de ver esses itens".

Veja as imagens divulgadas por Blaine Gibson:


Críticas

Familiares dos passageiros do voo expressaram frustração com a investigação sobre o desaparecimento do MH370. K.S. Narendran, marido de uma das passageiras, Chandrika Sharma, disse que a "falta de urgência dos investigadores" era "desconcertante". "Não sentimos nenhum senso de urgência nesse nível", afirmou, de sua casa em Chennai, no sul da Índia.

"Então, qual é a escolha que as famílias têm senão se unir e ajudar quem pode nos ajudar?", questionou. Narendran disse que as buscas atuais não incluem locais onde destroços de avião foram descobertos ─ como praias do Oceano Índico.

Austrália, Malásia e China estão a ponto de completar uma varredura de 120 mil km² no Oceano Índico (três vezes a área equivalente ao Estado do Rio de Janeiro), usando drones subaquáticos e equipamento sonar a partir de navios especializados.

Todos os destroços estão sendo examinados na Austrália pelo Escritório Australiano de Segurança no Transporte (ATSB, na sigla em inglês) e outros especialistas. Mas os países envolvidos acordaram que as buscas submarinas devem terminar nos próximos meses, a menos que apareçam "novas informações credíveis".