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Turquia nega que as estimadas 1,5 milhão de mortes causadas pelo extinto Império Otomano caracterizem um genocídio

Estadão Conteúdo

Resolução foi proposta pela base aliada de Angela Merkel e foi votada com larga vantagem
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Resolução foi proposta pela base aliada de Angela Merkel e foi votada com larga vantagem


O Parlamento da Alemanha aprovou, com ampla margem de votos, uma moção que classifica a matança de armênios pelo extinto Império Otomano no início do século 20 como genocídio. E a decisão desta quinta-feira (2), classificada pela Turquia como erro histórico, já começa a gerar tensão entre os dois países.

Às vésperas da decisão, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, afirmou que a votação não colocava em questão o pacto para reduzir a entrada de imigrantes na Europa, mas que era um "verdadeiro teste de amizade" para a relação entre os dois países.

A resolução, criada pela coalizão de partidos que apoia o governo de Angela Merkel, foi aprovada por todas as legendas do parlamento. A premiê não esteve presente durante a votação, mas sua porta-voz, Christiane Wirtz, deixou claro que ela apoiava a moção.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que vai chamar de volta o embaixador turco na Alemanha para trabalhar em novas medidas em resposta ao voto. O primeiro-ministro Yildirim, por sua vez, afirmou que a decisão alemã é um "erro histórico". Ele disse ainda que o povo turco tem orgulho de seu passado e que "não há evento que possa nos fazer baixar a cabeça em constrangimento".

Historiadores estimam que mais de 1,5 milhão de armênios foram mortos pelos turcos otomanos no período da Primeira Guerra Mundial – um evento considerado por pesquisadores o primeiro genocídio do século 20. A Turquia nega que as mortes caracterizem um genocídio, afirmando que as pessoas foram vítimas da guerra civil.