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Com 2.510 mortes em naufrágios em cinco meses, número de óbitos neste início de 2016 já supera os de 2015 na região

Bote com refugiados observados pela organização sem fins lucrativos Médicos sem Fronteiras
Médicos Sem Fronteiras/Divulgação
Bote com refugiados observados pela organização sem fins lucrativos Médicos sem Fronteiras

Ao menos 880 refugiados morreram em naufrágios no Mar Mediterrâneo ao tentar chegar à costa da Itália somente na última semana, aponta relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), divulgado nesta terça-feira (31).

O levantamento de dados foi feito com base em testemunhos de migrantes sobreviventes, recolhidos na Itália nos últimos dias. Ao menos três tragédias de grandes proporções foram registradas no Canal da Sicília, que liga o norte da África ao sul da Itália, na semana passada.

Calcula-se que ao menos 100 pessoas tenham morrido após o naufrágio de uma embarcação superlotada que vinha da costa africana na última quarta-feira (25). No dia seguinte, outras cerca de 500 morreram em tragédia similar.

Mais 45 corpos de um novo naufrágio foram encontrados na última sexta-feira (27), sendo que mutos dos que estavam a bordo continuam desaparecidos. Segundo a Acnur, o número de migrantes mortos no Mediterrâneo somente neste ano chegou a 2.510. No mesmo período do ano passado, a cifra era de 1.855. Em 2014, antes do início da atual crise imigratória, 57.

Só em 2015, a Itália foi porta de entrada para mais de 150 mil pessoas que fugiram das guerras, da miséria e de perseguições, especialmente de países do norte da África. O território é a segunda "rota de migrantes" pelo mar, ficando atrás apenas da Grécia -- que recebeu mais de 840 mil no ano passado.

Segundo cálculos das Nações Unidas, a chance de morrer durante a travessia do Mediterrâneo com os traficantes de humanos é de 1 em 81.