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Ministério Público acusa Géraldine Henneghien de financiar ações terroristas; ela lidera associação que combate grupos radicais e a associação de jovens belgas ao Estado Islâmico

BBC

Géraldine se uniu a outros pais de jovens associados ao Estado Islâmico e fundou organização
Ella Pellegrini/BBC
Géraldine se uniu a outros pais de jovens associados ao Estado Islâmico e fundou organização


A mãe de um integrante do grupo extremista Estado Islâmico está sendo processada pelo Ministério Público da Bélgica por ter enviado dinheiro ao filho que combatia na Síria. Géraldine Henneghien foi acusada de "financiamento de terrorismo, recrutamento e tentativa de recrutamento terrorista".

Seu filho Anis, muçulmano de mãe belga e pai marroquino, viajou à Síria em janeiro de 2014, mas manteve contatos esporádicos com a família por telefone até pouco antes de sua morte, em fevereiro de 2015, durante um combate na cidade de Deir Ezzor. Em um dos contatos, o jovem, então com 18 anos, disse à mãe que havia sido ferido em combate e pediu dinheiro para pagar o aluguel e a comida.

Em resposta, Géraldine enviou mil euros por intermédio de uma jovem francesa que estava a caminho da Síria para se casar com ele. "Claro que tentei dissuadi-la (de viajar), mas ela me respondia incansavelmente que tudo o que queria era ir se casar com Anis. Então, dei a ela um pequeno valor, mil euros. Meu filho estava sem dinheiro, em uma zona de guerra e me pediu ajuda. O que eu podia fazer?", justificou-se Géraldine. Depois da morte do rapaz, a moça, cujo nome não foi revelado, voltou à França, mas continuou recebendo dinheiro da mãe do rapaz.

"Mãe agiu com o coração"
O advogado da acusada, Alexis Deswaef, alega que "trata-se de uma mãe que agiu com o coração, na esperança de convencer o filho a voltar para a Bélgica". Para a RTBF, televisão pública da Bélgica, Géraldine  "tem um perfil que, à primeira vista, está mais para o de um aliado contra a radicalização e o terrorismo que para o de uma recrutadora". "Esta mãe de família fez tudo o que pôde para combater" o radicalismo, defende o canal.

Géraldine é uma das fundadoras da associação sem fins lucrativos Les Parents Concernés (Os pais afetados, em tradução livre), criada em 2013, quando se registraram as primeiras viagens de jovens belgas para lutar na Síria. Na época, as autoridades públicas eram acusadas de descaso por famílias que buscaram ajuda ao notar a radicalização de um de seus membros – foi o caso da brasileira Rosana Rodrigues, cujo filho, Brian de Mulder, morreu na Síria em novembro passado.

Fundada nesse contexto, a associação pressiona o governo a tomar medidas contra a radicalização e para impedir a saída da Bélgica de pessoas suspeitas de querer se unir ao Estado Islâmico. O grupo também organiza conferências de sensibilização, com o objetivo de dissuadir os jovens de irem para a Síria. Segundo Géraldine, a associação, que reúne 49 familiares de jihadistas belgas, "não tomará partido".

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