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Para Jorge Bergoglio, legislação francesa erra ao não prever direito de "exteriorizar" a fé e impedir muçulmanas de usar véu

Convidado por Hollande, Papa diz preferir não visitar a França em período de campanha eleitoral
Benhur Arcayan/Malacañang Photo Bureau/Fotos Públicas
Convidado por Hollande, Papa diz preferir não visitar a França em período de campanha eleitoral



Líder da Igreja Católica, o papa Francisco defendeu que um Estado deve ser laico, mas disse que a França "tende a exagerar na laicidade". A declaração foi feita poucas semanas depois de o presidente francês François Hollande desistir de emplacar um embaixador assumidamente homossexual na Santa Sé. "Um Estado deve ser laico. Os Estados confessionais terminam mal. Mas a França tende a exagerar na laicidade devido a um modo de considerar as religiões como uma subcultura, e não como uma cultura verdadeira", alfinetou o pontífice.

O papa destacou que é preciso haver uma lei que permita a liberdade de "exteriorizar" sua fé. A legislação francesa prevê limitações na "manifestação de filiações religiosas" para "proteger os direitos dos outros cidadãos".

A medida atinge principalmente mulheres muçulmanas, proibidas de usar véus em repartições públicas. "Se uma muçulmana quer usar o véu, deve poder fazê-lo. A mesma coisa serve para um cristão que usa um crucifixo", acrescentou Francisco.

O papa também comentou que foi convidado por Hollande para visitar Paris, mas não sabe quando isso ocorrerá, já que o país terá eleições presidenciais em 2017 e a Santa Sé costuma evitar viagens internacionais durante períodos de campanha.