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Acordo entre os dois países marca reconciliação após Viena ameaçar Roma de fechar fronteira na cidade de Brennero; para ministro italiano, construir barreiras é "dar passos para trás"

Governo austríaco começou a construção da barreira móvel na fronteira italiana em abril de 2016
Manu Gomez/ Fotomovimiento/Fotos Públicas
Governo austríaco começou a construção da barreira móvel na fronteira italiana em abril de 2016



O governo austríaco decidiu encerrar os trabalhos de construção de uma barreira "anti-imigrantes" na cidade de Brennero, que faz fronteira com a Itália. A informação foi confirmada pelo ministro do Interior, o italiano Angelino Alfano, e da Áustria, Wolfgang Sobotka, após uma reunião nesta sexta-feira (13). "Graças ao empenho demonstrado pela Itália para controlar os trens que vão para a Áustria, no momento, não é necessária a construção de uma barreira em Brennero", declarou Sobotka.

Para o ministro austríaco, "se cada um fizer o seu trabalho, ninguém será deixado sozinho" na atual crise imigratória. "A Itália mostrou que está trabalhando em seus compromissos e que nós continuaremos a fazer patrulhas trilaterais sobre os trens. Brennero é uma fronteira simbólica que deve ficar aberta para a passagem de turistas e mercadorias", concluiu.

Alfano, por sua vez, afirmou que “a Europa deve olhar para frente e não dar passos para trás construindo muros". Para o representante de Roma, os controles desenvolvidos pelas autoridades italianas estão "trazendo bons resultados.” Ele disse ainda que "a Itália e a Áustria têm um intercâmbio comercial de € 17 bilhões por ano e a cada sete segundos um trem atravessa a fronteira ítalo-austríaca. Controles na fronteira teriam um impacto muito pesado".

O anúncio da paralisação nas obras aconteceu poucas horas depois de a União Europeia ter rejeitado o pedido da Áustria de obter um tipo de "permissão preventiva" para introduzir controles na fronteira de Brennero, contrariando os artigos do Tratado de Schengen.

Entenda o caso

No início de abril, o governo de Viena ameaçou a Itália com o fechamento da fronteira de Brennero – que também inclui os limites com a Alemanha – se Roma não controlasse o fluxo de imigrantes que atravessam o país. Segundo estimativas do próprio governo austríaco, com o fechamento das rotas que partiam da Grécia, a Itália receberia cerca de 300 mil imigrantes só neste ano. Esses dados, porém, sequer chegaram perto de serem alcançados, mesmo na época mais propícia para a travessia do Mediterrâneo.

No entanto, mesmo contra os números, o governo austríaco saiu da ameaça e começou a construção de uma "barreira móvel" de cerca de 370 metros entre os dois países. Ela seria ativada caso chegasse um grande número de estrangeiros no local. A medida foi duramente criticada pelo governo de Roma, por meio do primeiro-ministro, Matteo Renzi, e do ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni. Além disso, houve diversos protestos que terminaram em confusão no local, quando grupos de direitos humanos se manifestaram contra a construção do muro.

A Áustria foi o segundo país que mais registrou pedidos de asilo dos estrangeiros que foram para a Europa em 2015 – no maior deslocamento de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.

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