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Em campanha pela permanência do país no bloco, premiê afirma que, diante dos ataques que atingem Europa, ideal é unir forças; britânicos decidem futuro nas urnas em junho

Estadão Conteúdo

David Cameron discursa no Museu Britânico sobre os riscos da saída do país do bloco econômico
Georgina Coupe/Crown Copyright - 09.05.2016
David Cameron discursa no Museu Britânico sobre os riscos da saída do país do bloco econômico



Em meio ao debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou que deixar o bloco aumentaria o risco de guerra na Europa, em discurso nesta segunda-feira (9).

Em campanha pela permanência do Reino Unido na UE, Camerou disse que seria temerário supor "que a paz e a estabilidade no nosso continente são asseguradas sem qualquer sombra de dúvida". E completou: "A Grã-Bretanha tem um interesse nacional vital de permanecer no bloco para evitar futuros conflitos entre os países europeus".

O discurso foi realizado no Museu Britânico, em Londres, semanas antes da votação que definirá o futuro do Reino Unido no bloco, marcado para 23 de junho. Segundo Cameron, o "isolamento nunca serviu para o país e dar as costas à Europa, mais cedo ou mais tarde, gerará arrependimentos" acrescentou.

Prós e contras
Criada após o fim da Segunda Guerra Mundial, para, entre outros motivos, impedir o continente de travar guerras entre as nações europeias, a UE têm se visto em uma situação cada vez mais delicada desde os ataques terroristas de Paris, em novembro, e a piora da crise dos refugiados que migram para a região vindos da África e Ásia. Cameron alega que, diante da luta contra o Estado Islâmico, o melhor é unir forças e não separá-las.

Em discurso no Museu Britênico, David Cameron alegou que, no momento, o melhor é unir forças
Georgina Coupe/Crown Copyright - 09.05.2016
Em discurso no Museu Britênico, David Cameron alegou que, no momento, o melhor é unir forças


Por outro lado, o grupo favorável à saída do país do bloco destaca que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contribui muito mais para a paz na Europa do que à segurança da UE. "A noção de que a paz da Europa foi garantida pelas instituições da União Europeia sempre foi um total absurdo", explicou Robert Cowcroft, da Universidade de Edimburgo, membro dos Historiadores para a Grã-Bretanha, grupo contrário à permanência na UE.

O ex-prefeito de Londres Boris Johnson lidera a campanha para que o Reino Unido deixe o bloco. De acordo com ele, na década de 1990, período das guerras dos Bálcãs, ficou claro que o bloco não cumpriu sua missão de garantir a paz. "Não acredito que a saída do Reino Unido causaria uma terceira Guerra Mundial no continente europeu", defendeu.