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Segundo fontes, saída de Ahmet Davutoglu foi causada por decisão de retirar poderes para nomear líderes de província

Renunciando, primeiro-ministro Ahmet Davutoglu disse que não disputará mais cargos políticos
Creative Commons/ Mueller/ MSC
Renunciando, primeiro-ministro Ahmet Davutoglu disse que não disputará mais cargos políticos


O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, anunciou, nesta quinta-feira (5), que renunciará ao cargo e à presidência do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco). Ele disse que concretizará sua saída até 22 de maio, quando deve ocorrer uma nova convenção da legenda.

Segundo fontes ligadas ao governo, a saída do primeiro-ministro foi causada por uma mudança decidida pelo partido, que tirou seu direito de nomear os líderes das províncias turcas. Interlocutores afirmam que a medida foi uma imposição do presidente Recep Tayyip Erdogan, que perdeu a confiança na "lealdade" de Davutoglu em questões sobre o governo em si, como a tentativa de alterar o sistema de parlamentarismo para presidencialismo, os direitos civis e o diálogo com os grupos rebeldes curdos.

Em seu discurso de despedida, o chefe do governo ainda anunciou que não vai mais se candidatar a nenhum cargo no Congresso, mas que permanecerá no partido. "O nosso relacionamento de lealdade com o presidente continuará. Não vivo essa decisão como um fracasso ou como uma decepção", discursou Davutoglu.

Ele estava no cargo desde 2014 para substituir o próprio Erdogan, que foi eleito presidente naquele ano. Apesar da turbulência política vivida em 2015, seu partido, o AKP, conseguiu retomar a maioria do Parlamento nas eleições de novembro do ano passado – com a consequente renomeação do premiê. O movimento coloca fim aos esforços de Davutoglu para se consolidar como herdeiro político do presidente.

Um conselheiro de Erdogan falou à mídia local nesta quinta-feira que o presidente descarta convocar novas eleições por causa da renúncia, mas especialistas apontam que uma nova ida às urnas pode ser concretizada entre os meses de setembro e novembro deste ano. O presidente fez um breve comentário sobre a saída de Davutoglu, reforçando apenas que essa "foi uma decisão do primeiro-ministro". 

Veja fotos dos protestos que abalaram a Turquia em 2015: