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Ativista argentino de direitos humanos esteve no Planalto com a presidente e se encontrará com o pontífice no próximo mês

Papa Francisco participa de ordenação de novos padres na Basílica São Pedro
Alessandro Bianchi/Reuters
Papa Francisco participa de ordenação de novos padres na Basílica São Pedro

O Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel relatou nesta quinta-feira (28) que o Papa Francisco acompanha com preocupação a crise política no Brasil. Em entrevista, o ativista argentino de direitos humanos disse que discutirá com o pontífice o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff num encontro marcado para o início do próximo mês no Vaticano. "Ele (Francisco) está muito preocupado com o que ocorre aqui. Também está preocupado com outros problemas no continente, retrocessos democráticos", afirmou.

As declarações de Pérez Esquivel foram dadas no Planalto, após um encontro dele com a presidente Dilma Rousseff. Ele é um dos ativistas com maior acesso ao Papa Francisco. Ele não adiantou qual a avaliação do Papa sobre a questão no Brasil. Em entrevista, Esquivel apresentou apenas sua própria posição. "Temos muito claro que o que está se preparando aqui é um golpe, aquilo que chamamos de golpe branco", disse Pérez Esquivel na entrevista. "Esses golpes brancos já foram colocados em prática em países como Honduras e Paraguai", ressaltou. "Agora, a mesma metodologia que não necessita de Forças Armadas está se utilizando aqui no Brasil."

Pérez Esquivel relatou que a presidente Dilma agradeceu o apoio, reafirmou que considera o impeachment um golpe e está "muito firme" diante do processo. O ativista disse que a esquerda no continente precisa fazer uma reflexão crítica. Na avaliação de Pérez Esquivel, "muitas vezes tem muito discurso e pouca prática por parte da esquerda latino-americana".

Ele também comentou sobre a referência feita do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a votação do impeachment no dia 17 de abril na Câmara. Para Esquivel, o posicionamento do parlamentar brasileiro não é democrático.

Para ativista, a esquerda latino-americana
Lula Marques/ Agência PT
Para ativista, a esquerda latino-americana "tem muito discurso e pouca prática" e falta reflexão

Sobre um eventual governo Michel Temer, Pérez Esquivel disse esperar que a Unasul use a mesma carta orgânica que costumou usar em outras situações de "golpe".

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