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Segundo relatório da Unicef, as meninas são drogadas e usadas em três quartos dos ataques cometidos pelo grupo extremista

Número de ataques suicidas usando as crianças cresceu 11 vezes desde 2014
BBC
Número de ataques suicidas usando as crianças cresceu 11 vezes desde 2014


O uso de crianças em atentados suicidas pelo grupo extremista muçulmano africano Boko Haram cresceu ao ponto de um em cada cinco ataques do gênero atualmente serem levados a cabo por perpetradores infantis. O alerta é da Unicef, agência da ONU para a infância e a adolescência, que publicou nesta terça-feira (12) um estudo sobre o tema.

Há preocupação especial com o uso de meninas: segundo um relatório do órgão, elas são drogadas e usadas em pelo menos três quartos dos ataques cometidos pelo Boko Haram em Camarões, Nigéria e Chade. Desde 2014, o número de ataques pulou de quatro para 44.

A mudança de tática pode ser um reflexo da perda de território do Boko Haram na Nigéria. Há sete anos, o grupo promove uma insurgência no nordeste do país e em países vizinhos que já deixou mais de 17 mil mortos.

Segundo a Unicef, cerca de 1,3 milhão de crianças foi forçada a deixar suas casas por causa do conflito. O estudo foi divulgado para aproveitar a proximidade do segundo aniversário do rapto de mais de 200 meninas de uma escola na cidade de Chibok por militantes do Boko Haram. Um incidente que despertou comoção mundial e gerou até uma campanha. Mas muitas continuam desaparecidas até hoje.

Boko Haram anunciou no ano passado uma fusão com o grupo extremista Estado Islâmico
Wikimedia Commons
Boko Haram anunciou no ano passado uma fusão com o grupo extremista Estado Islâmico


Agora, meninos estariam sendo recrutados pelos extremistas e obrigados a atacar suas famílias como forma de demonstrar lealdade. Meninas são expostas a abusos sexuais e casamentos forçados com militantes. O relatório da Unicef diz que, em Camarões, meninas de oito anos de idade já foram usada em ataques suicidas.

A insurgência do Boko Haram frequentemente teve escolas como alvo, em linha com o significado de seu nome na língua local hausa - "A educação ocidental é proibida", em tradução livre. A falta de segurança fez com que mais de 670 mil crianças ficassem sem aulas por mais de um ano. Mas de 1800 escolas permanecem fechadas.

Fundado em 2002, o Boko Haram anunciou no ano passado uma fusão com o grupo extremista muçulmano conhecido como Estado Islâmico