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Conhecida como Super-Terça, data foi essencial para Mitt Romney se garantir como candidato republicano em 2012

Favoritos nas pesquisas, Hillary Clinton e Donald Trump testam força de suas candidaturas nos EUA
Reprodução/Facebook/Twitter
Favoritos nas pesquisas, Hillary Clinton e Donald Trump testam força de suas candidaturas nos EUA

Os EUA terão nesta terça-feira (1°) um dos momentos cruciais para a definição dos nomes que disputarão as eleições presidenciais norte-americanas em novembro: a Super-Terça. Ao mesmo tempo, mais de uma dezena de Estados realizam votações pelos partidos Republicano e Democrata que colocam em jogo o apoio de centenas de delegados responsáveis por escolher qual dos pré-candidatos defenderá sua legenda na briga pelo posto hoje ocupado por Barack Obama.

A definição do número de delegados que apoiará cada um dos nomes é feita de duas maneiras. A principal delas são as primárias, eleições em voto secreto nas quais eleitores registrados nos partidos – e, em alguns casos, qualquer eleitor interessado – escolhem qual candidato apoiar dentro da legenda. A outra é por meio do  caucus , assembleias preliminares distritais que escolhem representantes para apontar os delegados de cada Estado, responsáveis pela escolha final. 

Do lado Republicano, Alabama, Arkansas, Georgia, Massachusetts, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia realizarão primárias, enquanto Alasca e Minnesota, caucuses . Do Democrata, Alabama, Arkansas, Georgia, Massachusetts, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia fazem primárias, enquanto Colorado, Minnesota e o território da Samoa Americana, no Pacífico Sul, caucuses .

A importância da Super-Terça pode ser facilmente entendida pelos números, apesar da distância do sistema de escolha de candidatos com o usado no Brasil – onde, no máximo, os nomes são escolhidos em prévias fechadas, realizadas de uma só vez entre filiados dos partidos. Do lado republicano, quase 25% dos delegados de todo o país estão em jogo na data – um total de 595 nos 11 Estados onde a disputa será travada. Entre os democratas, são 865 representantes a serem definidos.

Donald Trump (ao centro) e os senadores Marco Rubio e Ted Cruz em debate no Texas
David J. Phillip/Associated Press/Estadão Conteúdo
Donald Trump (ao centro) e os senadores Marco Rubio e Ted Cruz em debate no Texas

Cada pré-candidato precisa de, no mínimo, 1.237 – Republicanos – e 2.383 – Democratas – delegados, respectivamente, para seguir em frente para defender o seu partido nas eleições até o fim das primárias, realizadas em todos os Estados norte-americanos, em junho. Após quatro prévias, o magnata Donald Trump lidera entre os republicanos, com 82 representantes garantidos, seguido por Ted Cruz, com 17, e Marco Rubio, com 16. Do lado Democrata, a ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton está na frente, com 543 delegados, bem à frente do socialista Bernie Sanders, com 85.  

Assim, em apenas um dia, o jogo pode virar totalmente, com qualquer um dos nomes atualmente na disputa assumindo a liderança na corrida das legendas. "São muitos votos em jogo, então é uma disputa que realmente vai definir como as coisas seguirão daqui para frente na disputa. Se a Hillary vence hoje, por exemplo, fica com uma margem muito confortável entre os Democratas", avalia Luís Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"Ao mesmo tempo, entre os Republicanos, iremos ver qual candidatura se consolidará como alternativa à de Trump. Está em curso dentro do partido e de setores importantes da sociedade um movimento para que a legenda retome suas rédeas. Trump não a representa e os republicanos devem se focar no esforço para derrubá-lo. Por isso, uma união entre Cruz e Rubio deve ocorrer."

O governador socialista Bernie Sanders em debate com a ex-secretária Hillary em New Hampshire
ABC/ Ida Mae Astute
O governador socialista Bernie Sanders em debate com a ex-secretária Hillary em New Hampshire

Além de escolher aqueles que devem se tornar alvos de rivais – caso de Trump –, a Super-Terça também define os pré-candidatos nanicos que podem largar a disputa devido à falta de apoio dentro da legenda, como é provável que ocorra com o governador de Ohio, John Kasich. Foi o que fez Jeb Bush, ex-governador da Flórida, após fraco desempenho na Carolina do Sul .

De acordo com uma pesquisa nacional encomendada pela rede de notícias CNN, Trump é o favorito a vencer as primárias pelos republicanos, com 49% de apoio entre os eleitores do partido – bem à frente de Rubio (16%), Cruz (15%), Ben Carson (10%) e Kasich (6%). Hillary, por sua vez, se mostra como principal candidata dos Democratas, com 55% da preferência de seu eleitorado contra 38% de Sanders. 

"Mas, mesmo depois das primárias, ainda tem muita coisa para acontecer. O eleitorado tende a votar no candidato mais moderado e, quem diria, por enquanto, Trump está liderando com propostas extravagantes e discursos populistas", ressalta o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília. "O eleitorado não é tão fácil de se entender, surpresas ainda podem acontecer."

Os resultados da Super-Terça começarão a ser conhecidos por volta das 21h – horário de Brasília – desta terça-feira.


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