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Político de enorme carisma, Boris Johnson defende que fazer parte do bloco está acabando com a soberania britânica

O prefeito Boris Johson: chefe do Executivo da maior cidade inglesa desde o ano de 2008
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O prefeito Boris Johson: chefe do Executivo da maior cidade inglesa desde o ano de 2008

Um dos políticos mais carismáticos do Reino Unido, o prefeito de Londres, Boris Johnson, anunciou neste domingo (21) que fará campanha pela saída do país da União Europeia, uma questão que será colocada para a população no plebiscito marcado para 23 de junho.

Ele defendeu que fazer parte do bloco está acabando com a soberania britânica e que o acordo para reformas nas regras do grupo, feito pelo primeiro-ministro, David Cameron, não trará as mudanças fundamentais que são necessárias.

Isso coloca Johnson e Cameron em lados opostos da disputa – tanto nacionalmente quanto no próprio partido, pois ambos são conservadores. O premiê pede aos cidadãos que votem pela permanência em uma UE "reformada" e afirma que deixá-la seria um "salto no escuro".

O anúncio de Johnson veio após haver uma grande especulação sobre qual seria sua posição na consulta popular.

"Assumir o controle"
Cercado por jornalistas ao lado de fora de sua residência, no norte de Londres, Johnson disse que a UE é um "projeto político" que "corre um perigo real de sair do controle democraticamente".

Ele disse que a soberania – o poder do Reino Unido de governar a si – estava sendo "intensamente erodida" pelas instituições do bloco, com "muito ativismo jurídico" e leis sendo produzidas por ele.

Johnson parabenizou Cameron pelo acordo negociado com líderes europeus para mudar a relação britânica com a UE, dizendo que o premiê havia se saído "fantasticamente bem" em um curto período de tempo.

Johson é visto como um candidato em potencial para assumir liderança do Partido Conservador
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Johson é visto como um candidato em potencial para assumir liderança do Partido Conservador

"Mas não acho que alguém pode afirmar de forma realista que isso é uma reforma fundamental da UE ou do relacionamento do Reino Unido com a UE", disse. "A meu ver... Temos a chance de fazer alguma coisa. Eu tenho a chance de fazer alguma coisa."

O político acrescentou desejar que esta relação seja mais de "comércio e cooperação": "Quero um acordo melhor para as pessoas desse país, economizar seu dinheiro e assumir o controle de volta".

Ambições políticas
O prefeito de Londres é visto como um candidato em potencial para disputar a liderança do Partido Conservador, atualmente nas mãos de Cameron. Ele negou que sua decisão tenha a ver com ambições políticas, destacando tê-la tomado após pensar profunda e seriamente sobre o assunto, porque a última coisa que desejava era desafiar o premiê.

Johnson afirmo que apoiará a "Vote Leave", um dos dois grupos que buscam ser reconhecidos como a campanha oficial pela saída do bloco, mas descartou participar de debates na TV contra integrantes de seu partido.

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Ao falar à BBC antes de a decisão ser anunciada, Cameron fez um último apelo a Johnson para que ele apoiasse a campanha pela permanência na UE, dizendo que, se ele se importa com o "ser capaz de fazer coisas" no mundo, integrar o bloco é fundamental.

E afirmou que "andar de braços dados" com Nigel Farage e George Galloway, integrantes do movimento Grassroots Out, que também busca ser a campanha oficial pela saída da UE, era "dar um passo no escuro e na direção errada para nosso país".

Cameron defendeu que o Reino Unido é "melhor, mais seguro e mais forte" como parte do grupo e que deixar um bloco com 28 membros pode dar a "ilusão de soberania", mas, na verdade, enfraqueceria o poder e a influência britânicos.

Carisma
No entanto, o argumento não foi suficiente para convencer Johnson, que se junta a outros seis ministros do gabinete do governo que apoiam a saída. Entre eles estão os secretários de Trabalho e Pensões, Iain Duncan, e de Justiça, Michael Gove. Zac Goldsmith, que espera ser o sucessor de Johnson, também anunciou ser contra a permanência no bloco.

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Alguns apoiadores da campanha pela saída já haviam dito que esperavam que Johnson se tornasse a principal figura dela, por ser capaz de atingir grandes grupos de eleitores de uma forma com que muitos outros políticos não conseguem.

Johnson é um dos políticos mais carismáticos do Reino Unido e seu apoio de fato dá a imagem que a campanha pela saída ainda não tinha, diz o editor de política interino da BBC News, James Landale.

Pesquisas indicam que sua voz será ouvida por muitos. "Ele está testando seu apelo em escala nacional em uma disputa de importância histórica. E isso importa, porque Johnson pode ser primeiro-ministro algum dia", analisa Landale.

Ao apoiar a campanha pela saída, Johnson conquistará o apoio de muitos conservadores que escolherão o sucessor de Cameron. O prefeito londrino, no entanto, nega ter se planejado desta forma.

"Mas muitos membros do partido – em ambos os lados da disputa – desconfiam de seus motivos e suspeitam que ele esteja agindo mais em interesse próprio do que em nome do país", resume Landale.

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