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Decisão terá cláusula de "interrupção de emergência" de sete anos para pagamentos de benefícios concedidos pelo governo

David Cameron, premiê britânico, em Davos
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David Cameron, premiê britânico, em Davos

O primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou ter chegado a um acordo com líderes da União Europeia (UE) para conferir um "status especial" ao Reino Unido e que ele fará uma campanha de "corpo e alma" para sua permanência no grupo de nações.

Cameron afirmou que o acordo, celebrado após dois dias de negociações em Bruxelas, na Bélgica, incluirá uma cláusula de "interrupção de emergência" de sete anos para pagamentos de benefícios sociais concedidos pelo governo.

O premiê acrescentou que os termos incluem mudanças em tratados da UE e que será apresentado a seu gabinete na manhã deste sábado. O acordo foi considerado "inócuo" por aqueles que fazem campanha pela saída do Reino Unido da UE por conter "mudanças muito pequenas".

Mudanças

A decisão unânime foi anunciada primeiro na cúpula da UE pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para quem o acordo "fortalece a posição especial britânica".

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou que o pacote de reformas "desperta o apoio necessário para que o Reino Unido permaneça na UE". O referendo foi prometido para o fim de 2017, mas espera-se que ele seja realizado em junho deste ano.

Cameron afirmou que anunciará a data em breve e se disse "decepcionado", mas não surpreso com o fato de um de seus maiores aliados, o secretário de Justiça, Michael Gove, fazer campanha pela saída. O premiê declarou ter obtido as mudanças que desejava e que colocarão o Reino Unido "no banco do motorista" de um dos maiores mercados do mundo e criarão uma UE "mais flexível". Além das reformas na UE, Cameron fará um anúncio de medidas para fortalecer a soberania do Reino Unido.

Críticas

O acordo fechado entre todos os 28 membros do grupo vem depois de vários líderes terem se oposto às mudanças planejadas pelo primeiro-ministro britânico. Originalmente, ele seria anunciado pela manhã, mas depois foi adiado para o início da tarde, em seguida para o final da tarde e uma vez mais para o início da noite, quando finalmente veio à público.Críticos disseram que as reformas não permitirão ao Reino Unido impedir que leis indesejáveis sejam aprovadas pela UE ou reduzir a imigração.

Matthew Elliott, presidente da campanha Vote Leave, pela saída do país da união, disse que Cameron "declarará vitória agora, mas que ela é totalmente inócua". Também a favor da saída, o parlamentar conservador David Davis disse ser hora do Reino Unido "assumir o controle de seu destino".