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Para analistas, mesmo que liderem a corrida no início, Donald Trump, Ted Cruz e o democrata Bernie Sanders enfrentarão dificuldades para conseguir a vaga e se eleger

BBC

No dia em que eleitores do Estado de Iowa dão início ao longo processo de escolha dos candidatos à próxima eleição presidencial americana, três azarões despontam no noticiário e nas pesquisas.

Enquanto o empresário Donald Trump e o senador ultraconservador Ted Cruz lideram a corrida pela vaga do Partido Republicano, o senador Bernie Sanders - que se define como socialista - nunca esteve tão próximo da rival Hillary Clinton nas pesquisas entre os eleitores Democratas.

Campanha para definir candidato de cada partido se encerra em 14 de junho em Columbia
BBC
Campanha para definir candidato de cada partido se encerra em 14 de junho em Columbia


Nos Estados Unidos, a escolha dos candidatos à Presidência segue um roteiro complexo, que tende a favorecer concorrentes com campanhas bem estruturadas nacionalmente e apoiadas por líderes políticos regionais.

Eleitores de cada um dos 50 Estados americanos realizam prévias para definir quais candidatos devem concorrer pelos partidos Republicano e Democrata. A vitória em cada Estado garante aos candidatos o endosso de um determinado número de delegados eleitorais, baseado no tamanho de sua população. Ganham a nomeação os candidatos que somarem mais delegados na contagem final.

Após a prévia em Iowa, será a vez de New Hampshire, no dia 9. O processo se encerra em 14 de junho no Distrito de Columbia, sede da capital, Washington.

Analistas afirmam que, mesmo que liderem a corrida no início, Trump, Cruz e Sanders enfrentarão uma série de dificuldades para conseguir a vaga e se eleger. A BBC Brasil analisou os principais trunfos e obstáculos na trajetória de cada um.

Donald Trump

O empresário é hoje o candidato preferido de 41% dos eleitores republicanos, segundo a última pesquisa da CNN/ORC. Mais de dois terços do eleitorado do partido acredita que ele conquistará a vaga.

Uma análise do The New York Times apontou que, se Trump tiver bons resultados nos primeiros Estados, dificilmente os dirigentes Republicanos conseguirão freá-lo.

O estabilishment do partido considera algumas das visões de Trump populistas, como suas propostas de barrar a entrada de muçulmanos nos EUA e ampliar as tarifas sobre produtos chineses.

O grupo espera que, após as primeiras votações, um candidado Republicano mais moderado - como o senador Marco Rubio, o ex-governador da Flórida Jeb Bush ou o governador de Nova Jersey, Chris Christie - deslanche nas pesquisas e atraia os votos de eleitores que rejeitam Trump.

Um candidato mais ao centro, diz o jornal, poderia contar com apoio considerável entre os eleitores Republicanos mais escolarizados, especialmente no oeste do país.

"Trump ainda não enfrentou uma campanha mediática séria - e ainda não está claro se ele conseguirá manter uma porção tão grande dos votos diante de ataques persistentes a suas declarações no passado", diz o jornal.

Se mesmo assim conseguir a vaga, os resultados médios de pesquisas eleitorais compliadas pelo site Real Clear Politics revelam que hoje ele perderia para Hillary (41,3% X 44%) e Sanders (41,5% X 46,8%) no duelo final.

Ted Cruz

O senador pelo Texas parece hoje o único pré-candidato capaz de fazer frente a Trump em Iowa: lá Cruz conta com 25% das intenções de voto, ante 32% do empresário (nas pesquisas nacionais, Cruz tem 19%, e Trump, 41%).

Levantamentos sobre votações, pronunciamentos e fontes de receitas de congressistas americanos apontam que Cruz é um dos legisladores mais conservadores do país.

Não por acaso, o senador tem tido um bom desempenho entre evangélicos, importante segmento do eleitorado americano. Cruz também tem tentado atrair os votos de Republicanos que temem uma vitória de Trump.

Mas o estabilishment do partido parece rejeitar o senador com a mesma força com que rejeita o empresário - ou ainda mais.

Donald Trump, o democrata Bernie Sanders e Ted Cruz
BBC
Donald Trump, o democrata Bernie Sanders e Ted Cruz


Uma análise do The Washington Post diz que, enquanto Trump parece se preocupar com a opinião dos outros, o que o tornaria mais maleável às posições do partido, Cruz age como se não se importasse em ser odiado por suas falas e posições.

Num debate recente, o senador comprou briga com os eleitores de Nova York, a maior cidade americana, ao criticar a relação de Trump com a cidade. Segundo Cruz, Trump representa os "valores de Nova York", entre os quais citou a defesa do casamento gay e do aborto.

Se conseguir a vaga Republicana, os resultados médios de pesquisas eleitorais compiladas pelo Real Clear Politics revelam que hoje Cruz bateria Hillary (46,8% X 45,5%) mas perderia para Sanders (45% X 41,7%).

Bernie Sanders

Poucos imaginavam que o senador por Vermont poderia desafiar a favorita Hillary Clinton na disputa. Mas, segundo as últimas pesquisas da NBC, Sanders encostou na ex-secretária de Estado em Iowa (45% X 48%) e a ultrapassou com folga em New Hampshire (57% X 38%).

Uma análise na versão americana do Observer diz que Sanders tem o potencial de unir eleitores pobres e da classe trabalhadora numa campanha contra os interesses econômicos do setor financeiro, emulando o movimento Occupy Wall Street.

Sanders tem recorrido principalmente a pequenas doações para financiar sua campanha. A prática, diz ele, lhe garante independência e o diferencia de seus principais competidores, que se valem de fortunas pessoais (no caso de Trump) ou grandes doadores para bancar suas atividades.

Por outro lado, analistas dizem que o sistema de arrecadação pode não lhe garantir os recursos suficientes para vencer uma disputa longa e desgastante.

Outro desafio de Sanders é atrair os eleitores negros, importantes especialmente nas prévias no sul dos EUA. Por enquanto, o senador tem tido mais sucesso entre eleitores brancos.

Se conseguir a vaga do Partido Democrata, os resultados médios de pesquisas eleitorais compliadas pelo Real Clear Politics mostram que hoje Sanders derrotaria tanto Trump (46,8% X 41,5) quanto Cruz (45% X 41,7%).

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