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Mais de 137 mil atravessaram o Mar com destino à Europa nos primeiros 6 meses de 2015, 83% a mais que em 2014, diz ONU

Mais de 137 mil pessoas atravessaram o Mar Mediterrâneo para tentar chegar à Europa nos primeiros seis meses de 2015, informou nesta quarta-feira (1) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). O número é 83% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando cerca de 75 mil pessoas tentaram a travessia.

Dia 15:  Mundo vive pior crise de refugiados desde 2ª Guerra Mundial

Iraquianas, a maioria delas refugiadas, espera na fila por comida na mesquita Abdul Khader al-Kilani em Bagdá (23/06)
AP
Iraquianas, a maioria delas refugiadas, espera na fila por comida na mesquita Abdul Khader al-Kilani em Bagdá (23/06)

Esses dados devem ainda aumentar no segundo semestre que, naturalmente, registra uma quantidade maior de chegadas por ser o período mais quente do ano.

Segundo o relatório, a maioria dos imigrantes estava fugindo de guerras, conflitos ou perseguições. Para a entidade, a imigração pelo Mediterrâneo tem "proporções históricas" e é, sobretudo, uma crise de refugiados a serem protegidos.

A Acnur destacou que um terço dos homens, mulheres e crianças que chegaram à Itália ou à Grécia em 2015 eram provenientes da Síria - onde quase toda a população é considerada digna de receber o status de refugiado ou alguma outra forma de proteção.

O segundo país na escala de proveniência é o Afeganistão, seguido de perto pela Eritreia. Também nesses casos tratam-se de pessoas que precisam ser refugiadas.
O documento também mostrou uma mudança nas rotas de imigração utilizadas pelos traficantes de seres humanos. A "rota oriental" entre o norte da Turquia e a Grécia já superou em quantidade a tradicional "rota central", que sai do norte da África para a Itália.

Apesar do aumento no número de imigrantes, o alto comissário da Acnur, Antonio Guterres, comemorou o fato de ter ocorrido uma brusca queda no número de mortos nessas travessias. Segundo o representante, a diminuição recorde "é encorajadora e um sinal de que com a política correta, apoiada por uma resposta operacional eficaz, é possível salvar mais vidas em alto-mar".

Os dados apontam que, após bater recorde em abril, o número de naufrágios despencou nos meses de maio e junho. Isso porque a União Europeia, através de uma pressão da Itália, começou a agir mais efetivamente para evitar as tragédias. Em abril, uma série de desastres marítimos deixou quase dois mil mortos na região.

A questão da imigração para a Europa abriu uma crise entre os países da UE. Diversos Estados-membros não aceitam receber os estrangeiros, fato que irritou profundamente o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. Após muita discussão, ficou acertado que os países-membros dividirão 40 mil imigrantes nos próximos dois anos. Mas, a legislação que previa uma "cota" obrigatória para as nações não foi aprovada ainda.

Para lidar com o problema, Renzi já destacou diversas vezes que, mesmo se não tiver o apoio europeu, a Itália irá salvar "todas as vidas" em alto-mar