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Quando era ministro da Economia, Amado Boudou e outras pessoas teriam lançado um plano de salvamento de uma empresa que imprime dinheiro, hoje nacionalizada

Presidente argentina e seu vice, Amado Boudou, em evento em 2012
EFE
Presidente argentina e seu vice, Amado Boudou, em evento em 2012

O Tribunal de Apelação argentino validou as acusações contra o vice-presidente do país, Amado Boudou, que ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal do país para procurar evitar um processo por corrupção.

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Boudou, que diz ser inocente, é o primeiro vice-presidente na Argentina a ser acusado em exercício. Entretanto, é considerado pouco provável que a Justiça decida antes do final do seu mandato, que está previsto para acabar em 10 de dezembro, juntamente com a presidente Cristina Kirchner.

Segundo o magistrado que o acusou por corrupção passiva, Boudou, quando era ministro da Economia, e outras pessoas teriam lançado um plano de salvamento de uma empresa em dificuldades, a Ciccone Calcografica, hoje nacionalizada, que imprime notas de dinheiro. Em 2010, ele teria adquirido 70% da empresa.

O caso

Uma investigação conduzida pelo Fisco argentino pediu à Justiça, em julho de 2010, a quebra do sigilo bancário da gráfica Ciccone, que presta serviços ao governo da Argentina vendendo, entre outras coisas, papel-moeda para o Banco Central do país.

Três meses depois, os tribunais suspenderam a ordem por solicitação da própria empresa, após negociação de pagamentos de multas. A partir de uma investigação sigilosa, foi descoberto que o ministério da Economia, pasta liderada por Amado Boudou, havia pressionado o órgão a favor da empresa.

Mais tarde, a companhia foi vendida para o The Old Fund, empresa presidida por Alejandro Vandenbroele, apontado como "testa-de-ferro" de Boudou pelas investigações. O vínculo com o empresário foi negado várias vezes pelo político. 

Depois das eleições de 2011, Boudou deixou a pasta para ocupar o cargo de vice-presidente no governo de Cristina Kirchner. Mas as denúncias em escândalos de corrupção acabaram com sua provável pretensão de suceder a atual líder do país.

"Estou muito calmo e quero provar a minha inocência", disse Boudou em entrevista  ao jornalista Eduardo Feinmann.

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