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Há aumento da militância extremista dentro das fronteiras tunisianas; este, porém, é o primeiro atentado reivindicado pelo Estado Islâmico no País

BBC

Os ataques ocorridos nesta sexta-feira em um resort de Sousse, com um saldo de ao menos 37 mortos - na maioria turistas estrangeiros -, evidenciam que os esforços da Tunísia em conter o islã radical não estão tendo os resultados desejados.

Na noite desta sexta, uma organização que monitora atividades extremistas afirmou que o grupo autodenominado "Estado Islâmico" reivindicou a autoria do episódio, no mesmo dia em que diz ter perpetrado um atentado contra uma mesquita do Kuait, onde mais 27 pessoas morreram.

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Esta não é a primeira vez que a Tunísia é alvo de ataques: houve no país um aumento da militância extremista desde a derrubada do líder Zine al-Abidine Ben Ali, nos levantes populares de 2011.

Seis meses atrás, o "Estado Islâmico" também admitiu estar por trás do ataque ao famoso museu Bardo, na capital Túnis - o primeiro atentado do grupo na Tunísia.

Assim como nesta sexta, a maioria das vítimas eram turistas estrangeiros, entre britânicos, japoneses, franceses e italianos.

O "EI" já era, portanto, o principal suspeito dos ataques em Sousse.

O grupo é ativo na vizinha Líbia, onde tem perpetrado ataques de grande porte, incluindo a decapitação de egípcios cristãos coptas que moravam lá.

E acredita-se que a maioria dos comandantes do "EI" na Líbia sejam tunisianos.

A maior parte dos estrangeiros que aderem ao "EI" na Síria e no Iraque vem da Tunísia, segundo alguns pesquisadores.

Autoridades em Túnis afirmam que até 3 mil tunisianos já deixaram o país para participar da jihad islâmica no Oriente Médio.

Outros grupos islâmicos
Mas o "EI" não é a única ameaça em curso no país norte-africano.

O país há tempos vive uma batalha contra combatentes ligados à Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM na sigla em inglês) ao longo de sua fronteira com a Argélia.

Em julho de 2014, o grupo matou 14 soldados em uma ofensiva contra dois pontos militares de checagem na região montanhosa da Tunísia.

Dentro da Tunísia, o principal grupo islâmico em atividade é o Ansar al-Sharia. Designada como organização terrorista, ela foi acusada de atacar a embaixada americana em Túnis em setembro de 2012. Mas o grupo nega ter elos com a Al-Qaeda.

Em abril de 2002, a rede principal da Al-Qaeda perpetrou um ataque suicida contra uma sinagoga tunisiana, causando a morte de 19 pessoas.

Nesta sexta-feira, os alvos em Sousse eram turistas vindos do exterior e o Estado em si. O turismo é a principal fonte de dinheiro estrangeiro da Tunísia, e analistas afirmam que o governo não tem como arcar com o colapso do setor.

É, também, um enorme revés para um país que já foi visto como um bastião de secularismo no mundo árabe.

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