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Grupo citado por jovem que matou 9 em uma igreja dos EUA condena ato e alega que crimes raciais afetam mais os brancos

"O Conselho de Cidadãos Conservadores (Council of Conservative Citizens) condena de forma inequívoca os atos criminosos de Dylann Roof".

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Dylann Roof, que matou nove pessoas na Carolina do Sul, divulgou manifesto online antes da chacina
Reprodução/BBC
Dylann Roof, que matou nove pessoas na Carolina do Sul, divulgou manifesto online antes da chacina

Assim reagiu, na segunda-feira, a organização americana que supostamente inspirou Roof, 21 anos, a matar nove pessoas em uma igreja de Charleston, Carolina do Sul, na semana passada.

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O grupo, classificado como organização de supremacistas brancos, tem em seu site na internet um estudo sobre a violência exercida por negros contra brancos.

E esses dados foram usados por Roof em um manifesto que ele publicou online antes de perpetrar a chacina.

A condenação do Conselho é suficiente para o órgão se distanciar do crime ou será que ele também tem responsabilidade em fomentar o ódio, como denunciam ativistas de direitos civis?

De qualquer forma, Jered Taylor, porta-voz do Conselho, disse à BBC Mundo que rejeita ser classificado como supremacista branco e que o ocorrido em Charleston é uma ação de um jovem desequilibrado.

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"Não há nada de supremacista nem de ódio no Conselho de Cidadãos Conservadores. Nossa organização investiga e trabalha pelo interesse legítimo dos brancos como um grupo. Há outras organizações que se identificam com determinados grupos. Só que quando os brancos o fazem, isso é considerado um grupo de ódio", diz ele.

O Conselho defende os dados publicados em seu site (e citados por Roof) e adverte quanto aos "perigos de negar a realidade dos crimes de negros contra brancos".

Os dados alegam que "anualmente, há cerca de 500 mil crimes violentos inter-raciais. Destes, 85% são cometidos por negros contra brancos. Uma vez mais, condenamos os desprezíveis atos de Roof, mas eles não diminuem a legitimidade de algumas de suas ideias", diz o órgão.

Vínculos políticos

O papel exercido por essa organização ganhou destaque quando veio à tona que seu presidente, Earl Holt III, doou, nos últimos anos milhares de dólares a diferentes políticos do Partido Republicano, alguns deles - Ted Cruz, Rick Santorum e Rand Paul - aspirantes à candidatos do partido nas eleições presidenciais de 2016.

A informação sobre as doações é de domínio público, por meio da Comissão Federal Eleitoral, e foi revelada pelo jornal britânico The Guardian neste domingo.

Jered Taylor disse à BBC Mundo que "a contribuição de um doador a um político significa que esse doador apoia um candidato, e não o contrário. Não significa que o candidato apoie o doador".

"A doação é, de alguma forma, um ato de liberdade de expressão", agregou.

Ao mesmo tempo, a reação do meio político foi veloz.

Um porta-voz do senador Ted Cruz disse ao Guardian, no domingo, que devolverá os US$ 8,5 mil em doações recebidas de Holt desde 2012. 

Um assessor de Rand Paul disse na segunda-feira que o comitê de ação política do candidato doará as contribuições a um fundo de amparo às famílias dos nove mortos na igreja de Charleston.

Quanto a Santorum, "o senador não justifica nem respeita comentários racistas ou de ódio de nenhuma natureza", disse a equipe do candidato ao Guardian.

Grupos ativos

Ainda que as quantias doadas por Holt não sejam exorbitantes e que esses grupos supremacistas só sejam notados pela mídia em momentos de tensão racial, ativistas de direitos civis dizem que o poder deles não pode ser subestimado.

O Southern Poverty Law Center (SPLC), organização do Alabama que monitora os chamados "grupos de ódio" nos EUA, diz que o Conselho de Cidadãos Conservadores é o maior grupo supremacista branco atualmente no país.

Segundo o SPLC, há, no total, 784 grupos de ódio ativos nos EUA. Desses, 142 são de inspiração nazista; 119 se consideram grupos skinhead; 115 são nacionalistas brancos; e 72 têm vínculos com a Klu Klux Klan.

O SPLC argumenta que a ameaça dos supremacistas brancos transcende fronteiras e se articula por páginas da internet como Stormfront.

Segundo o centro, nos últimos cinco anos, cerca de cem pessoas foram mortas pelas mãos de usuários ativos da Stormfront.

"Ficaram para trás os dias em que pensávamos que o terrorismo nacional era obra de uns poucos membros do KKK ou de skinheads violentos", diz o SPLC.

"Sabemos que os terroristas islâmicos pensam globalmente e enfrentamos essa ameaça com isso em mente. Demoramos muito para perceber que os supremacistas brancos estão fazendo o mesmo."

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