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Ex-primeiro-ministro italiano é acusado de ter subornado senadores em 2008 para derrubar o governo de seu adversário Romano Prodi; sentença será divulgada em 8 de julho

A Procuradoria de Nápoles pediu nesta quarta-feira (24) uma pena de cinco anos de prisão para o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi pela compra e venda de apoio no Parlamento durante o último governo de seu rival Romano Prodi (2006-2008).

O ex-Cavaliere é acusado de ter subornado diversos senadores, com destaque para Sergio De Gregorio, para que eles deixassem a base aliada do então premier e derrubassem seu gabinete, o que efetivamente aconteceu em maio de 2008.

Prodi foi sucedido justamente por Berlusconi, com quem polarizou a política italiana durante boa parte dos anos 1990 e 2000. As acusações se baseiam em declarações do próprio De Gregorio, para quem a Procuradoria de Nápoles pediu um ano e oito meses de cadeia.

Berlusconi também quase já foi preso por causa de uma acusação de prostituição de menores
AP
Berlusconi também quase já foi preso por causa de uma acusação de prostituição de menores

Segundo a acusação, o conservador Berlusconi teria investido milhões de euros para comprar senadores da centro-esquerda. De Gregorio, que enfrentava grandes dificuldades econômicas, teria aceitado o suborno. Os pagamentos teriam sido feitos pelo jornalista Valter Lavitola, ex-braço direito do ex-primeiro-ministro.

Para ele, a Procuradoria pediu uma pena de quatro anos e quatro meses de prisão. "O objetivo de Berlusconi era derrubar o governo Prodi, o modo não lhe interessava", disse o procurador Vincenzo Piscitelli.

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Com esse processo, fica cada vez mais improvável um retorno do ex-premier às urnas. Ele já está inelegível até 2019, devido a uma condenação em última instância por fraude fiscal em 2013, caso que levou à cassação do seu mandato de senador.

Por conta da sentença, ele foi obrigado a realizar um ano de serviços sociais em um asilo, pena encerrada no início de 2015. Berlusconi também quase foi preso por causa de uma acusação de prostituição de menores e abuso de poder, mas acabou sendo absolvido pela Corte de Cassação de Roma.

A sentença do processo de compra e venda de apoio no Parlamento está prevista para o dia 8 de julho.

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