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Decisão surpreendeu analistas da política do país vizinho, já que eles acreditavam que ela tentaria, ao menos, ser deputada

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decidiu não concorrer às eleições marcadas para outubro em seu país, anunciou a própria líder. Essa é a primeira vez em 26 anos que ela não se candidata a nada. Porém, na lista de candidatos apresentada por seu partido para o pleito, ela colocou personagens chaves de seu governo.

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Kirchner em homenagens nas Ilhas das Malvinas, no início do mês: mandato termina neste ano (Arquivo)
Presidência da Argentina
Kirchner em homenagens nas Ilhas das Malvinas, no início do mês: mandato termina neste ano (Arquivo)

A decisão de não concorrer a nenhum cargo surpreendeu aos analistas da política do país vizinho, já que todos acreditavam que ela tentaria, ao menos, ser deputada local ou no Parlamento do Mercosul para ganhar o foro privilegiado.

Cristina - e seus familiares - são investigados pela Justiça por suposto enriquecimento ilícito e, sem a função política, ela poderá ter que responder aos crimes como uma "cidadã comum".

Entre os principais nomes apresentados pela líder política, está a nomeação de Daniel Scioli como postulante à Presidência. Scioli, da corrente peronista, teve como indicação de seu vice o ultrakirchnerista Carlos Zanini. Assim, mesmo que Scioli - considerado um possível agente de mudança no governo - vença as eleições, Zanini seria o Presidente do senado local, mantendo Cristina como "influência externa".

Apesar de não ser o cargo mais importante, também chamou a atenção a indicação do filho e herdeiro político dos Kirchners, Máximo, para deputado da província de Santa Cruz. Sem nunca ter sido eleito para nenhum cargo político, a nomeação de Máximo é repleta de simbolismo e mostra que a família não quer deixar o poder após quatro eleições consecutivas.

Além deles, o atual ministro de Economia, Alex Kicillof, encabeça a lista para assumir o cargo de deputado pela capital argentina, enquanto Eduardo "Wado" de Pedro, secretário-geral da Presidência, lidera os nomes para ser deputado pela província de Buenos Aires. Em uma eventual vitória de Scioli, é muito provável que Kicillof reassuma seu cargo e que Wado se torne o presidente da Câmara dos Deputados.

O maior adversário dos kirchneristas/peronistas é o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri. Ele está empatado com Scioli, segundo as pesquisas eleitorais locais que foram feitas antes da divulgação dos nomes oficiais.

As decisões deste domingo são fundamentais para a realização das primárias argentinas, que ocorrem no dia 9 de agosto. No país, os eleitores votarão em listas fechadas para decidir os candidatos que disputarão, de fato, os cargos no dia 25 de outubro. A saída de Kirchner do governo está marcada para o dia 10 de dezembro, quando o novo mandatário assumirá o poder.

Porém, mesmo sem disputar nenhum cargo em 2015, os analistas políticos dão como certa a candidatura da atual mandatária ao posto presidencial em 2019 - seja quem for o vencedor do pleito neste ano.

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