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Ao longo de cerca de 190 páginas, Bergoglio afirma que a população mundial foi obrigada a "pagar a todo custo" o resgate dos bancos durante a mais recente crise financeira

Na encíclica, papa diz que
AP
Na encíclica, papa diz que "mercado cria um mecanismo compulsivo para promover os seus produtos", mas este não pode ser o "paradigma" de vida da humanidade

A encíclica sobre ecologia do papa Francisco, publicada nesta quinta-feira (18), faz um duplo apelo para que as comunidades e lideranças políticas protejam a Terra, controlando as mudanças climáticas, e substituam o modelo de desenvolvimento atual por um sustentável e integral.

O documento, considerado a obra mais importante de um líder da Igreja Católica, foi mundialmente apresentado hoje e leva o título de "Laudato Si" ("Louvado Seja").

Ao longo das cerca de 190 páginas da encíclica, Jorge Mario Bergoglio afirma que a população mundial foi obrigada a "pagar a todo custo" o resgate dos bancos durante a mais recente crise financeira e econômica.

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"Hoje não devemos fazer os povos pagarem a qualquer o preço custo do crescimento. Devemos diminuir o passo e apontar para um estilo de vida conciliável com a defesa integral do ambiente", escreveu.

Segundo ele, o "mercado cria um mecanismo compulsivo para promover os seus produtos", mas este não pode ser o "paradigma" de vida da humanidade. Francisco também criticou que os apelos por mudanças partam majoritariamente da imprensa e de cientistas que, na verdade, "discursam de casa" e não vivem a realidade dos mais afetados.

"Profissionais, comentaristas, meios de comunicação e centros de poder estão distantes das áreas interessadas, sem contato direto com seus problemas", observou. "A aproximação ecológica deve ser social".

De acordo com o Papa, caso o problema do desabastecimento e da fome não sejam resolvidos, "a exaustão de alguns recursos cria um cenário favorável para novas guerras, as quais, por sua vez, provocam graves danos ao ambiente e à riqueza cultural dos povos. Os riscos se tornam enormes se considerarmos as armas nucleares e biológicas existentes na atualidade".

Em uma coletiva de imprensa no Vaticano, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, contou que a encíclica foi preparada com contribuições de bispos do mundo todo, através de trocas de e-mails com o Papa.

"É um documento com relevância eclesial, preparado de maneira nova. Há um mês, aproveitando dos modernos meios de comunicação, o Papa 'promulgou' a encíclica junto com bispos do mundo todo, através de e-mails", disse Lombardi.

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