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Inundações em Tbilisi mataram pelos menos 12 pessoas. Funcionários do Zoológico acusam autoridades de usar força em excesso com animais. Chefe da igreja culpa os comunistas

Pelo menos 12 pessoas morreram e 36 ficaram feridas nas enchentes que atingiram a capital da Geórgia, Tbilisi, neste domingo (14), segundo o Ministério do Interior do país. Por conta disso, o primeiro-ministro Irakli Garibashvili declarou luto nacional para esta segunda-feira (15). "A situação é complexa. Tbilissi não ainda não tinha vivido catástrofe natural dessas dimensões", afirmou Garibashvili.

Além disso, 24 indivíduos estão desaparecidos, bem como dezenas de animais que fugiram do zoológico da cidade por causa das inundações, incluindo leões, tigres, ursos e hipopótamos. Alguns deles, considerados perigosos, foram abatidos. Segundo o balanço provisório das autoridades, as cinco horas de chuvas torrenciais deixaram um cenário trágico em Tblissi.

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As autoridades de Tbilisi estão em uma verdadeira caça aos animais. Foi pedido aos moradores que ficassem dentro de casa enquanto a polícia realizava a caçada, mas o medo aumentou conforme a noite começou a cair sobre a cidade de 1,1 milhão de habitantes com alguns dos animais ainda à solta. A capital da Georgia está sete horas na frente de Brasília. 

As enchentes arrancaram enormes pedaços para fora das estradas e inundaram várias casas. Helicópteros circulam pela cidade, enquanto voluntários e equipes de resgate trabalharam para ajudar os residentes, apesar do perigo dos animais

"O dia não foi ruim", disse Khariton Gabashvili, um residente da cidade, "mas hoje todo mundo tem que ter muito cuidado porque não foram capturados todos os animais . Eles não foram alimentados, e em seu estado de fome eles podem atacar as pessoas." ainda não houve relatos imediatos de que qualquer dos mortos foram mortos pelos animais. 

Um hipopótamo, um animal extremamente agressivo com a capacidade de correr mais rápido do que os seres humanos, foi flagrado serrando uma madeira não muito longe do jardim zoológico e foi baleado com um dardo tranquilizante. Outros animais foram caçados e mortos.

As carcaças de, pelo menos, um leão, um javali e um tigre foram vistos após as enchentes. As autoridades do zoológico disseram que seis lobos também foram mortos e que os demais podem ter fugido para praticamente qualquer canto do Tbilisi, incluindo as florestas nas colinas íngremes no coração da cidade.

Zoológico: excesso de força com os animais

A porta-voz do zoológico local Mzia Sharashidze disse que uma contagem dos animais que escaparam ainda não estava disponível porque muitos dos recintos do zoológico permaneciam debaixo de água. Mas ela disse que cinco leões estavam desaparecidos e que muitos macacos tinham escapado.

“Cerca de 20 lobos, oito leões, tigres brancos, cães selvagens e jaguares foram abatidos por forças especiais ou estão desaparecidos. Apenas três dos nossos 17 pinguins foram resgatados”, lamentou a porta-voz do jardim zoológico, Mzia Charachidze.

Três funcionários do zoológico foram encontrados mortos, incluindo uma mulher que menos de um mês atrás perdeu um braço em um ataque de tigre. Seu marido também foi encontrado morto.

Alguns funcionários do zoológico acusaram as autoridades de usar força desnecessária contra os animais selvagens. O diretor do zoológico Zurab Gurielidze disse que um dos mais amados do parque, um jovem leão branco chamado Shumba, havia sido encontrado cm um tiro na cabeça.

"Nossa Shumba não é mais", lamentou ele, segundo a agência de notícias Interfax. "É simplesmente possível que alguém tenha excedido sua autoridade."

Imagens transmitidas pelo canal de televisão Rustavi 2 mostraram um hipopótamo nas ruas inundadas do centro da capital, enquanto membros das equipes de emergência tentavam capturar o animal com dardos tranquilizadores. Outras imagens divulgadas nas redes sociais mostraram um crocodilo preso entre carros num parque de estacionamento e um urso em cima da estrutura do ar-condicionado de um prédio.

Para a igreja, a culpa é dos comunistas

O chefe da Igreja Ortodoxa Georgiana, Patriarca Ilia II, foi citado pela agência de notícias Interfax por seu discurso na missa dominical, na qual disse que os ex-governantes comunistas da Geórgia precisavam assumir a responsabilidade pelo desastre.

"Quando os comunistas chegaram neste país, eles ordenaram que todas as cruzes e os sinos das igrejas fossem derretidos e o dinheiro usado para construir o jardim zoológico. O pecado não vai passar sem punição. Lamento muito que caiu sobre georgianos um jardim zoológico construído à custa de igrejas destruídas."

*Com informações da Ansa, AP e Agência Brasil.

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