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De acordo com Kailash Satyarthi, símbolo da luta contra a exploração infantil, 'obrigar crianças a matar é a pior coisa'

O ativista e Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, disse nesta sexta-feira (12) que existe até meio milhão de crianças-soldados no mundo. Ele alertou que a situação, que qualifica como a pior forma de abuso infantil, pode ter proporções ainda maiores. 

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“Existem entre 400 mil a 500 mil crianças-soldados em todo o mundo, mas os números reais podem ser muito maiores porque existem grupos de militantes clandestinos que estão sequestrando crianças e a forçando-as a usar armas”, disse o ativista indiano, em Genebra, onde participa de uma conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Kailash Satyarthi, um símbolo da luta contra a exploração infantil, disse que “obrigar crianças a matar pessoas é a pior coisa que se pode fazer”, mencionando as situações vividas em países como a Síria, o Iraque, a Nigéria e o Afeganistão.

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“Quando leio que é dada uma arma a uma criança de cinco anos para matar um oponente de uma milícia no Iraque e que se essa criança não consegue usar a arma e é enterrada viva, isso me provoca raiva. Acho que isso deve provocar raiva em todos”, afirmou o ativista, quinta (11), ao fazer uma intervenção durante a conferência.

Satyarthi, que em 2014 recebeu o Nobel da Paz juntamente com a adolescente ativista paquistanesa Malala Yousafzai, disse que o financiamento global para a área da educação tem caído significativamente ao longo dos últimos quatro anos.

“Em parte devido à crise financeira, mas também à percepção dos doadores de que a educação tem registado grandes avanços nos países em desenvolvimento, quando na realidade isso não é bem assim”, frisou.

Segundo o ativista, todas as crianças no mundo podiam ter acesso a uma educação básica se os fundos anuais globais para o setor aumentassem em US$ 22 bilhões. Satyarthi acrescentou que atualmente 58 milhões de crianças no mundo não frequentam a escola.

“Tenho defendido nos últimos 35 anos que a erradicação do trabalho infantil e uma educação de qualidade são as duas faces da mesma moeda. Não podemos alcançar um, sem o outro”, reforçou.

Dados da OIT mostram que 168 milhões de crianças realizam atualmente trabalho infantil, das quais 150 milhões têm idades compreendidas entre 5 e 14 anos. Deste número global e de acordo com as estimativas, cerca de 5 milhões são mantidas como escravas.

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