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Nos primeiros 5 meses do ano, NY registrou aumento de 20% de homicídios em comparação ao mesmo período de 2014

Geralmente citada como exemplo no combate ao crime, a cidade de Nova York enfrenta um recente aumento nos índices de violência.

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Taxa de homicídio aumentou 20% nos primeiros cinco meses do ano em comparação com o mesmo período em 2014
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Taxa de homicídio aumentou 20% nos primeiros cinco meses do ano em comparação com o mesmo período em 2014

Segundo dados da polícia, nos primeiros cinco meses deste ano houve aumento de 20% no número de homicídios em comparação ao mesmo período de 2014. Até maio, foram registradas 135 mortes, 98 delas por arma de fogo.

O número de incidentes envolvendo disparo de armas de fogo está em alta pelo segundo ano consecutivo, o que não ocorria desde a década de 1990. Até maio, foram 439 tiroteios (aumento de 9%), com um total de 510 pessoas atingidas.

A reação da imprensa local e de algumas comunidades aos números, levantando temores de que Nova York se encaminhe para um retorno aos altos níveis de violência dos anos 1970, levaram o prefeito Bill de Blasio e o chefe de polícia, Bill Bratton, a ir a público rejeitar a ideia de que a cidade viva uma onda de criminalidade.

Em entrevista coletiva na semana passada, o prefeito ressaltou que, em termos de número total de crimes, houve queda de mais de 6% em relação ao mesmo período de 2014, e disse que Nova York é "a cidade grande mais segura" do país. Disse ainda que a maioria dos homicídios recentes está concentrada na ação de algumas gangues em determinadas áreas, principalmente no Brooklyn e no Bronx.

"São criminosos de carreira, matando e atirando em outros criminosos de carreira", disse o chefe de polícia Bratton, ao ressaltar que, no resto da cidade, é "muito pequena" a chance de ser vítima de violência com arma de fogo "se você não for um criminoso".

Bratton criticou relatos "que beiram a histeria" e destacou que, em uma cidade de 8,5 milhões de pessoas, houve aumento de apenas 22 homicídios e 33 incidentes com disparo de arma de fogo neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O chefe de polícia lembrou ainda que, em 1993, a média era de 37 homicídios e 100 tiroteios por semana.

"Apesar de ser verdade que ambas as categorias (homicídios e tiroteios) registraram aumento em relação aos baixos números do ano passado, a alta não é prenúncio de um colapso no policiamento ou de criminalidade fora de controle", escreveu Bratton em artigo publicado nesta semana pelo jornal New York Post.

Reforço no policiamento

Apesar de garantir que não há motivo para preocupação, as autoridades resolveram antecipar em um mês uma ação de verão para reforçar o policiamento nas ruas nos meses mais quentes, que historicamente registram aumento no número de crimes.

Desde segunda-feira, 330 policiais extras patrulham a cidade, principalmente em áreas com níveis mais altos de violência.

Para alguns nova-iorquinos, porém, o problema principal está nas mudanças feitas por de Blasio na estratégia do Departamento de Polícia de Nova York desde que tomou posse, no ano passado.

Cumprindo uma de suas promessas de campanha, o prefeito reduziu o uso da política de "stop and frisk" ("pare e reviste"), marco da administração de seu antecessor, Michael Bloomberg.

A tática, na qual a polícia pode parar, interrogar e revistar qualquer pessoa, em busca de armas, é considerada discriminatória por muitos, mas é apontada por outros como motivo da redução dos níveis de violência na cidade nos últimos anos.

De acordo com a polícia, no ano passado foram 46 mil episódios de "stop and frisk", redução de 145 mil em relação a 2013.

Segundo Bratton, essa diminuição não se traduziu em aumento nos níveis de violência. O chefe de polícia observa que houve queda de 4,1% nos índices de criminalidade na comparação entre 2014 e 2011. No mesmo período, a redução do uso de "stop and frisk" chegou a 90%.

"Claramente, a suposta relação entre redução de 'stop and frisk' e aumento de criminalidade não é sustentada pelos números", afirma.

Críticas

Mas críticos da atual administração pressionam pela volta do uso mais amplo da tática como forma de reduzir os índices de assassinatos e crimes com armas de fogo.

Na semana passada, um grupo de manifestantes levou um caixão para a frente da prefeitura, pedindo mais policiamento e o aumento do uso de "stop and frisk".

O jornal New York Post, tradicionalmente crítico de De Blasio, questionou em editorial: "Exatamente quantos nova-iorquinos precisam morrer antes que o prefeito Bill de Blasio deixe os policiais retomarem o 'stop and frisk?"

"OK, o total de homicídios em Nova York está bem atrás do ponto alto de 2.262 em 1990. Mas o aumento deste ano sugere que a cidade está indo na direção errada. A que altura os números precisam chegar – 500? 1.000? – antes que seja demais?", questiona o jornal.

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