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Reaproximação entre os dois países começou em dezembro de 2014, com o anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas, bem como os laços econômicos e de turismo

Os Estados Unidos retiraram Cuba da "lista negra" dos países que financiam o terrorismo, informou o Departamento de Estado norte-americano nesta sexta-feira (29). 

Com a exclusão de Cuba, a "lista negra" dos norte-americanos passa a incluir somente Irã, Sudão e Síria. A Coreia do Norte também foi ameaçada de ser inserida pelos EUA no final do ano passado, após o episódio de invasão de dados da Sony antes do lançamento do filme "A Entrevista" – sobre a tentativa de assassinato do ditador norte-coreano Kim Jong-un. Até o momento, no entanto, isso não ocorreu.

Encontro entre Obama e Raúl Castro foi disputado pelos jornalistas que acompanham a Cúpula das Américas, na Cidade do México (11/04/2015)
AP Photo
Encontro entre Obama e Raúl Castro foi disputado pelos jornalistas que acompanham a Cúpula das Américas, na Cidade do México (11/04/2015)


Reaproximação histórica 
No dia 17 de dezembro, Obama declarou o fim da "abordagem ultrapassada" dos Estados Unidos a Cuba, anunciando o restabelecimento de relações diplomáticas, bem como os laços econômicos e de turismo – uma mudança histórica na política dos EUA, que coloca fim a meio século de inimizades como consequência da Guerra Fria.

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Enquanto Obama fazia o comunicado na Casa Branca, o presidente cubano Raúl Castro discursava para sua própria nação em Havana, capital cubana. Na ocasião, Obama e Castro falaram ao telefone por mais de 45 minutos, afirmaram.

Em discursos concomitantes transmitidos para o mundo todo, eles comentaram detalhadamente os problemas causados pelo embargo da nação americana à ilha caribenha, iniciado em 7 de fevereiro de 1962.

El bloqueo
Conhecido pelos cubanos como "el bloqueo" (o bloqueio), o embargo norte-americano a Cuba foi uma medida adotada pelos EUA no auge da Guerra Fria que interditou totalmente a relação econômica, financeira e comercial entre os dois países, separados por uma fronteira marítima de apenas 535 km.

A medida foi imposta no início dos anos 1960, depois do revolucionário e então recém-empossado líder cubano, Fidel Castro, iniciar uma aproximação com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), representada pela Rússia.

Após uma restrição inicial para a importação de açúcar cubano ao território norte-americano, instituída pelo então presidente dos EUA Dwight Eisenhower em 1960, John F. Kennedy ampliou as restrições para o grau máximo dois anos depois, suspendendo relações de nações anteriormente tão próximas – antes da Revolução Cubana que removeu a ditadura de Fulgencio Batista do poder, Cuba era conhecido como um "quintal dos EUA", onde empresários exploravam seus recursos e as elites passavam temporadas gastando dólares em seus cassinos e hotéis de luxo.

Devido ao aumento da tensão por influência entre soviéticos e norte-americanos, em 1962 Cuba foi protagonista daquela que ficou conhecida como a Crise dos Mísseis.

Em resposta à instalação de mísseis nucleares na Europa e à tentativa dos EUA de derrubarem Castro em Cuba, no ano anterior, os russos colocaram mísseis em território cubano apontados diretamente para os EUA em outubro.

A tensão acabou levando os EUA a impor restrições para viagens de seus cidadãos ao país caribenho, bem como à restrição comercial total entre as nações-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os cubanos. Também colaborou para a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, cujo objetivo foi conter a corrida armamentista mundial, em 1968.

O embargo total, no entanto, prosseguiu, com presidentes norte-americanos assinando continuamente sua prevalência ao longo dos anos. Entre eles, o próprio Barack Obama, eleito chefe do Poder Executivo do país em 2008 com a promessa de terminar com o longo bloqueio à nação caribenha, conhecida pelos mais diversos problemas sociais.

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