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Preso em polêmica operação policial na quinta-feira, prefeito de Caracas, ele mesmo uma figura controversa, defendia saída 'inadiável' de Maduro a todo custo

Ledezma teria sido detido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência na Venezuela
EPA
Ledezma teria sido detido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência na Venezuela

Detido na tarde de quinta-feira (19) durante uma polêmica operação policial, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, é uma das figuras mais proeminentes – e ardentes – da oposição ao chavismo na Venezuela.

Em fevereiro de 2014, ele foi uma das vozes que publicamente apoiaram a violência nos protestos contra o governo do presidente Nicolas Maduro, que deixaram 43 mortos e milhares de feridos.

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Ao lado do líder partidário Leopoldo Lopez e da ex-deputada Maria Corina Machado, Ledezma defendia então que Maduro deveria deixar a Presidência.

Em janeiro deste ano, ele foi signatário de um comunicado conjunto em que a saída do presidente era considerada "inadiável" em 2015. A postura contribuiu para a acusação de golpe sob a qual o prefeito foi preso.

Greve de fome

Não foi a primeira vez. Em abril de 2002, durante o fracassado golpe que tirou Hugo Chávez do poder por menos de 48 horas, Ledezma chegou a participar da toma da prefeitura do município de El Libertador – o principal município da Grande Caracas, que inclui o centro histórico da capital venezuelana – quando a polícia do regime golpista ainda procurava o prefeito derrubado, Freddy Bernal, aliado a Chávez.

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Bernal havia derrotado Ledezma em eleições dois dias antes, mas o opositor desconhecera os resultados alegando fraude.

Eleito para governar a região metropolitana de Caracas em 2008, com 52% dos votos, Ledezma desde então vinha em rota de colisão com o Palácio de Miraflores.

Um dos primeiros entreveros mais graves ocorreu ainda nos tempo em que Hugo Chavez era o chefe de Estado. Mais especificamente quando Chavez criou, por decreto, um cargo paralelo ao de prefeito e para ele transferiu uma parte significativa dos poderes municipais, incluindo o controle da polícia.

Nos anos seguintes ao golpe de 2002, eram constantes as tensões entre as polícias da Grande Caracas e de El Libertador.

Ledezma respondeu com uma greve de fome na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Caracas, o que causou intensa repercussão internacional.

O protesto durou seis dias, mas embora o cargo de Ledezma ainda tenha importância pública na Venezuela, seu poder é simbólico.

'Delitos'

Com 59 anos, o prefeito tem um passado político maior que o sugerido pela idade. Advogado, ele ingressou na política nos anos 70 e já era deputado federal na década seguinte.

Em 1994, entrou para o Senado, sempre integrando a Aliança Democrática, principal partido venezuelano até a ascensão do chavismo.

Recentemente, Ledezma ironizara pronunciamentos de Maduro sobre um suposto golpe ao dizer que a principal ameaça à Venezuela era a "corrupção no governo".

"O regime de Maduro já falou em 12 golpes de estado. Mas quem realmente tem o golpismo em seu sangue são os senhores que fazem parte deste governo."

O paradeiro do prefeito é desconhecido desde a operação de quinta-feira. Num discurso feito em cadeia nacional, o presidente disse que Ledezma será julgado por "delitos contra a paz do país, a segurança e a Constituição".

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