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Boko Haram controla uma grande parcela do Nordeste do país; coalizão africana busca financiamento para ataque conjunto


Jonathan: incapacidade de combater rebeldes
Jossy Ola/AP - 29.1.15
Jonathan: incapacidade de combater rebeldes

A comissão eleitoral da Nigéria vai adiar as eleições legislativas e presidenciais marcadas para 14 de fevereiro a fim de dar tempo para que uma nova força multinacional garanta a segurança nas áreas do Nordeste do país que estão sob controle do Boko Haram , disse um oficial próximo da comissão à agência Associated Press.

Milhões de pessoas poderiam ser impedidas de participar se a votação fosse realizada com os extremistas islâmicos mantendo o controle de uma larga porção do nordeste e cometem atrocidades que expulsaram 1,5 milhão de pessoas de suas casas.
O oficial nigeriano, que está a par das discussões, disse que a Comissão Nacional Eleitoral Independente vai anunciar o adiamento mais tarde neste sábado (7). Ele falou sob condição de anonimato pois o assunto é sensível.

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Uma grande ofensiva com aviões e tropas do Chad e da Nigéria já conseguiu expulsar os insurgentes de uma dúzia de cidades e vilarejos nos últimos dez dias. Ataques ainda maiores com a participação de mais países estão planejados. 

Membros da União Africana e representantes de países que apoiam a iniciativa encerram neste sábado (7) uma reunião de três dias realizada em Yaounde, capital de Camarões, para finalizar os detalhes de uma força de 7,5 mil homens de Nigéria, Chad, Camarões, Benin e Níger. Os africanos esperam que as Nações Unidas e a União Europeia banquem a iniciativa, o que pode atrasar a missão.

O grupo extremista nascido na Nigéria respondeu com ataques a uma cidade de Camarões e a duas do Níger nesta semana. Oficiais dizem que mais de 100 civis foram mortos e 500 ficaram feridos no caso camaronês. O Níger informa que cerca de 100 insurgentes e um civil morreram nos ataques de sexta-feira (6) no país. Vários integrantes das forças de segurança das duas nações foram mortos.

A preocupação internacional cresceu com o aumento do número de vítimas: cerca de 10 mil morreram com os ataques extremistas no ano passado, ante 2 mil nos quatro anos anteriores, de acordo com o Council on Foreing Relations [um centro de estudos norte-americano].

Oficiais do governo do presidente nigeriano, Goodluck Jonathan's, apoiaram o adiamento da votação de 14 de fevereiro. Mas a mudança de data é rechaçada pela coalizão opositora, que conta com o ex-ditador militar Muhammadu Buhari, apesar de esse grupo alegar que vai obter a maioria dos votos no Nordeste do país.

Apoiadores de ambos os lados ameaçam com violência caso seus candidatos não vençam. Cerca de 800 pessoas foram mortas em revoltas no Norte, de maioria muçulmana, depois de Buhari, que é muçulmano, perder a eleição de 2011 para Jonathan, um cristão do Sul do país.

Analistas dizem que a disputa é a mais acirrada desde o fim da ditadura militar em 1999. O partido de Jonathan venceu todas as eleições desde então, mas a incapacidade das forças militares em controlar o levante islâmico - iniciado há cinco anos -, a crescente corrupção e uma economia afetada pelo preço do petróleo têm causado danos ao presidente da nação que é a maior produtora de petróleo e a mais populosa da África, com 170 milhões de habitantes.

Um adiamento também vai dar aos responsáveis pelo sistema eleitoral mais tempo para distribuir cerca de 30 milhões de cédulas. A comissão disse que a falha em entregá-las para cerca de metade dos 68,8 milhões de votantes não era uma boa razão para adiar o voto.