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Ao menos 40 pró-Rússia foram mortos na segunda; presidente promete acabar com o 'terror' no leste em 'horas, e não meses'

O ministério do Interior da Ucrânia anunciou nesta terça-feira (27) que o Exército está no controle do aeroporto de Donetsk após um dia de confrontos sangrentos.

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Oficiais de polícia ao lado do corpo de uma mulher não identificada morto por estilhaços após bombardeio em Donetsk, Ucrânia (26/05)
AP
Oficiais de polícia ao lado do corpo de uma mulher não identificada morto por estilhaços após bombardeio em Donetsk, Ucrânia (26/05)


Crise: Novo presidente da Ucrânia promete restaurar controle sobre o leste do país

Segundo os rebeldes, ao menos 30 separatistas pró-Rússia foram mortos depois da tentativa de assumir o aeroporto, na segunda (26). Enquanto isso, o presidente eleito, Petro Poroshenko, prometeu combater os "terroristas" no leste "dentro de horas, e não meses".

A cidade oriental de Donetsk amanheceu com tumultos nesta terça, um dia depois de as forças do governo terem usado caças para tentar conter separatistas pró-Rússia que ameaçavam assumir o aeroporto. O prefeito disse que 40 pessoas foram mortas e foi à televisão para pedir aos moradores que fiquem em suas casas.

Com 1 milhão de habitantes, a cidade foi engolida por confrontos violentos na segunda (26). Os insurgentes foram repelidos pelas forças do governo que utilizam jatos de combate e helicópteros nos confrontos. Jornalistas da Associated Press testemunharam uma intensa troca de tiros durante todo o dia e à noite. Nuvens de fumaça tomaram conta do local.

O prefeito de Donetsk, Oleksandr Lukyanchenko, foi citado pelo portal de notícias local Ostrovas dizendo que 40 pessoas, incluindo dois civis, foram mortas em combates na segunda-feira.

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De acordo com Leonid Baranov, do grupo separatista República Popular de Donetsk, que estava no necrotério Kalinin, outros cerca de 30 insurgentes foram mortos ao serem transportados para um hospital da cidade. Ele explicou que o caminhão com os rebeldes foi alvejado pelas forças do governo no caminho para o centro médico. Ele disse que outras centenas ficaram feridos nos combates.

Jornalistas da AP viram muitos cadáveres empilhados no necrotério Kalinin, mas não podiam contá-los imediatamente ou confirmar as declarações de Baranov.

As batalhas aconteceram após o magnata do chocolate Petro Poroshenko reivindicar sua vitória na eleição presidencial de domingo (25). Poroshenko, que ainda será empossado, prometeu negociar uma saída pacífica para a insurgência no leste, mas também chamou os separatistas de "piratas somalis", e prometeu que iria impedi-los de semear mais caos.

Mais violência

No início de terça, homens não identificados invadiram a principal arena de hóquei de gelo de Donetsk e incendiou-a, de acordo com gabinete do prefeito. A arena, de propriedade de um parlamentar local, estava cotada para receber os campeonatos mundiais de 2015.

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Na região vizinha Luhansk, que como Donetsk declarou sua independência do governo central ucraniano, o serviço de guardas de fronteiras disse que seus oficiais travaram um longo tiroteio com um grupo de homens armados que tentavam transpor a fronteira com a Rússia. Ele disse que um intruso foi ferido e os guardas de fronteira apreenderam vários veículos carregados com fuzis Kalashnikov, lança-granadas, foguetes e explosivos.

Em discurso televisionado, Vitaly Yarema, vice-premiê da Ucrânia, disse que a "operação anti-terrorista" no leste da Ucrânia vai continuar "até que todos os militantes sejam aniquiladas."

Em Moscou, o chanceler russo, Sergey Lavrov expressou forte preocupação nesta terça sobre a decisão das autoridades "para intensificar a operação militar no leste" e pediu um fim imediato da luta.

Poroshenko, conhecido por seu pragmatismo, Poroshenko afirmou ainda querer criar laços mais fortes com a Europa, mas reconheceu a importância das relações com Moscou. Ao reiterar sua vitória, ele disse que seu primeiro passo como presidente seria visitar o conturbado leste do país. 

Negociações com a Rússia

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, descartou nesta terça eventuais negociações bilaterais com a Rússia sem a mediação dos Estados Unidos e da União Europeia (UE).

“A posição do governo não é alterável. Nas atuais condições, as negociações bilaterais com a Rússia, sem a presença dos Estados Unidos e da UE, não são possíveis”, disse ele.

Putin: Ucrânia vive uma verdadeira guerra civil

O presidente eleito da Ucrânia manifestou-se disponível para se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, em meados de junho, apesar de garantir que Kiev nunca reconhecerá a anexação da Crimeia por parte da Rússia.

Para Poroshenko, a próxima reunião com a Rússia, que descreveu como “um passo muito responsável”, deve produzir resultados que as pessoas esperam, até porque “a Ucrânia já pagou um preço muito alto com a guerra”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse, em declarações publicadas hoje pelo jornal Kommersant, ser ainda “prematuro” falar de um encontro entre Putin e Poroshenko.

A uma pergunta do jornal se haverá reação de Putin aos resultados eleitorais na Ucrânia, Peskov respondeu que o presidente russo já se manifestou publicamente. “A posição não mudou”, acrescentou o porta-voz.

Lavrov reiterou a posição de Putin sobre a eleição: “Como disse o presidente, vamos encarar com respeito os resultados da votação do povo ucraniano”.

*Com AP, BBC e Agência Brasil

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