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Presidente dos EUA sugere que líderes mundiais vão impor mais sanções à Rússia. Líder russo se recusou a participar da cúpula

O presidente Barack Obama iniciou sua semana de viagem internacional nesta segunda-feira (24), na Holanda, tendo a incursão russa na Crimeia no topo de sua agenda de discussões, enquanto procura simultaneamente enfatizar a influência dos EUA no exterior.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, em frente a pintura do mestre holandês Rembrandt van Rijn, durante visita ao Rijksmuseum em Amsterdã, Holanda
AP
O presidente dos EUA, Barack Obama, em frente a pintura do mestre holandês Rembrandt van Rijn, durante visita ao Rijksmuseum em Amsterdã, Holanda

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Ao desembarcar em solo holandês, nenhum problema pareceu chamar mais a atenção do presidente dos EUA e da Europa do que a anexação da Crimeia à Rússia e o receio de que Moscou possa expandir sua ocupação a outras regiões da Ucrânia.

"Estamos unidos para impor um custo à Rússia por suas ações até agora", afirmou Obama após se reunir com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

Mas Obama também está tentando usar sua viagem de uma semana para se reconectar, pessoalmente, não só à Europa, mas também à Ásia e ao Oriente Médio, todas as regiões estrategicamente importantes aos EUA.

Oficialmente, o terrorismo nuclear é o tema principal da reunião de cúpula - a terceira desde que Obama lançou a série, em 2009. A reunião foi aberta com o Japão anunciando que enviaria mais de 700 kg de um vasto armamento de plutônio e o fornecimento de urânio altamente enriquecido aos EUA, uma vitória para os esforços de Obama em proteger materiais nucleares ao redor do mundo.

Mas, em mais um sinal de como a crise na Ucrânia tem afetado a diplomacia, Putin se recusou a participar do evento e enviou seu ministro das Relações Exteriores em seu lugar. De acordo com o primeiro ministro holandês, as tentativas da Rússia para anexar a Criméia ao seu território foram "uma violação flagrante" do direito internacional.

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"A presença de tantos líderes internacionais na Holanda esta semana é uma oportunidade importante para a comunidade internacional discutir esse assunto, bem como outras questões que afetam o nosso interesse comum", disse Rutte. Segundo Obama, também foram discutidas outras questões com o chanceler holandês, como o comércio, as alterações climáticas e as armas químicas da Síria.

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Nesta segunda, Obama também se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping à margem da cúpula sobre segurança nuclear. Na terça-feira (25), o presidente americano tem planejada uma reunião conjunta com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente sul-coreano Park Geun-hye, em uma sessão que será antecedida pelo encontro com o príncipe Mohamed bin Zayed, herdeiro do príncipe Abu Dhabi, do emirado mais rico dos Emirados Árabes Unidos.

Obama aproveitou a visita à Holanda para a reunião de dois dias da cúpula nuclear para se reunir com os líderes do Grupo dos Sete economias industrializadas, o G7, composto pelos EUA, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, programada às pressas.

Em uma entrevista ao jornal holandês de Volkskrant publicada antes da sua chegada nesta segunda-feira, Obama disse que sua mensagem para os líderes europeus é a de que o presidente russo, Vladimir Putin, precisa "compreender as consequências econômicas e políticas de suas ações na Ucrânia." Ainda assim, ele disse não ver a Europa como um campo de batalha entre o Oriente e o Ocidente.

"Esse é o tipo de pensamento que deveria ter acabado com a Guerra Fria", disse ele. "Pelo contrário, é importante que a Ucrânia tenha boas relações com os Estados Unidos, Rússia e Europa."

A reunião entre o presidente americano e outros líderes do G7 será centrada na ajuda econômica à Ucrânia, enquanto procuram excluir Putin do grupo, que normalmente se junta a Rússia no Grupo dos Oito. Mais amplamente, a crise ucraniana vai testar a capacidade de Obama em encontrar uma posição unificada e forte contra a Rússia por parte dos líderes europeus, alarmados com a movimentação da Rússia na Ucrânia, mas cujas economias são dependentes da energia russa e do comércio com o país.

Na entrevista, Obama admitiu que as sanções ameaçou setores econômicos russos e que isso poderia impactar em todo o mundo. Mas acrescentou: "Se a Rússia continua a agravar a situação, precisamos estar preparados para impor um custo maior."

*Com AP

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