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Ação ocorre um dia após presidente russo assinar o tratado de anexação da província à Rússia. EUA alertam sobre sanções

O governo da Ucrânia disse nesta quarta-feira (19) que começou a esboçar planos para retirar suas tropas da Crimeia, território que a Rússia vem tomando controle gradualmente à medida que suas Forças Armadas capturam instalações militares em toda a disputada península.

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Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3)
AP
Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3)

Ucrânia: Militar ucraniano é morto durante ataque à base na Crimeia

Em um alerta para Moscou, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, declarou que os EUA responderão a qualquer agressão contra seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que inclui os vizinhos da Rússia.

Posicionando-se lado a lado com alguns líderes dos Bálcãs em Vilnius, Lituânia, Biden afirmou que os EUA estão "absolutamente comprometidos" em defender seus aliados, acrescentando que o presidente Barack Obama planeja buscar compromissos concretos de membros da Otan para assegurar que a aliança pode garantir sua segurança coletiva.

"A Rússia não pode escapar do fato de que o mundo está mudando e rejeita veementemente seu comportamento", disse Biden depois de se reunir em Vilnius com a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, e o presidente da Letônia, Andris Berzins.

Militares ucranianos, em desvantagem na Criméia, estão sob crescente pressão desde que a região foi nominalmente incorporada à Rússia na terça-feira (18). O secretário do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa Andriy Parubiy disse que a Ucrânia vai buscar o apoio das Nações Unidas para transformar a província em uma zona desmilitarizada.

Mais cedo nesta quarta, tropas de língua russa mascaradas tomaram o controle sobre a sede naval da Ucrânia, na cidade de Sevastopol. Um comandante da Marinha ucraniana também foi detido durante a operação.

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A ação, que aconteceu um dia depois de os líderes da península estratégica no Mar Negro terem assinado com a Rússia um tratado para que a área seja anexada pela Rússia, é o sinal mais claro até agora de que soldados russos, e as chamada unidades de "autodefesa" formadas na maioria por voluntários desarmados que apoiam os russos, começaram a tomar o controle de instalações militares ucranianas na região.

O tratado foi assinado dois dias depois de a Crimeia, cuja população é quase 60% de etnia russa, ter aprovado em referendo no domingo a separação da Ucrânia e a anexação pela Rússia. Autoridades da península e da Rússia dizem que a votação mostra o avassalador apoio público à entrada na Rússia, com 97% dos eleitores a favor.

Mas o Ocidente e o governo ucraniano em Kiev dizem que o referendo - organizado em menos de duas semanas e boicotado por muitos das minorias ucraniana e tártara da Crimeia - foi ilegal, afirmando que seus resultados não serão reconhecidos. Nesta quarta-feira, a corte constitucional russa aprovou o tratado como legal.

Há informações de que o ministro ucraniano da Defesa, Ihor Tenyukh, recebeu a ordem de ir à Crimeia em meio ao aumento das tensões. A agência de notícias russa Interfax citou o premiê da Crimeia, Sergei Aksyonov, que está em Moscou, afirmando: "Ninguém os deixará entrar na Crimeia; eles terão de retornar."

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Pouco após o incidente, o ministro interino da Defesa da Ucrânia, Ihor Tenyukh, disse em Kiev que as forças do país não vão se retirar da Crimeia apesar de o presidente russo, Vladimir Putin, ter assinado um tratado anexando a região à Rússia. O tratado deve ser aprovado pelo Parlamento russo em votação na sexta-feira.

Um oficial dentro da base de Sevastopol disse que cerca de 200 ativistas pró-Rússia quebraram as grades e entraram no local usando uma ambulância.

O destino dos militares ucranianos no complexo não está claro, uma vez que repórteres não foram autorizados a entrar na base e só podiam ver umas pequenas partes do local. Mas testemunhas disseram que não houve nenhum tiro disparado quando as forças pró-russas entraram.

Sanções

Na segunda, os EUA e a União Europeia impuseram sanções contra vários oficiais da Rússia e da Ucrânia acusados de envolvimento nas ações de Moscou na Crimeia. Bruxelas e a Casa Branca disseram que as sanções serão expandidas agora que o tratado de anexação foi assinado. Moscou alertou que isso é "inaceitável e não ficará sem ter consequências".

A crise na Ucrânia começou em novembro, depois que o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych abriu mão de um acordo com a UE para criar vínculos mais próximos com Moscou. Ele fugiu de Kiev em 22 de fevereiro, depois de protestos deixarem mais de 80 mortos. A Crimeia faz parte da Ucrânia desde 1954, mas tem uma população predominantemente russa.

As forças pró-Rússia efetivamente tomaram controle da península no final de fevereiro, com homens armados capturando prédios, incluindo o Parlamento. O premiê regional foi destituído em 27 de fevereiro por um voto de não confiança e substituído pelo líder pró-Moscou Sergei Aksyonov, que chefia o pequeno partido da Unidade Russa, que convocou o referendo.

*Com Reuters, BBC e AP

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